quinta-feira, 17 de julho de 2014


Consensos eleitorais: a repressão aos movimentos sociais e a criminalização dos protestos. 

Todos os bons críticos da política brasileira estão cientes de que as candidaturas preferidas do capital para a eleição presidenciável de 2014 representam essencialmente o mesmo projeto. Dilma (PT), Aécio (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) representam o mesmo projeto burguês de reprodução do capitalismo dependente em sua fase neoliberal (os governos petistas só são pós-neoliberais na cabeça delirante de governistas como Emir Sader). Pois bem, se os três candidatos preferidos pelo capital representam o mesmo projeto burguês, com diferenças pontuais, diferenças essas sobrevalorizadas no debate político de forma a mistificar (esconder) o que realmente está em jogo, cabe destacar os pontos de consenso entre esses representantes da ordem burguesa. 

Dilma, Aécio e Campos concordam na teoria e na prática com a criminalização dos movimentos sociais e a restrição ao direito de protesto.Campos como governador de Pernambuco é conhecido por suas posturas autoritárias e violentas contra protestos contestatórios e movimentos sociais. Só para dar um exemplo, em 2012, no segundo protesto contra o aumento das passagens, a PM de PE cercou os estudantes que estavam protestando na Faculdade de Direito do Recife (FDR) e atacou-os violentamente com bombas, balas de borracha e cassetetes. O fato da FDR ser território federal não intimidou a PM. A última vez que a FDR tinha sido bombardeada pela PM tinha sido na época da ditadura militar! 

Sobre as práticas de Aécio e do PSDB não precisa nem falar muito. Quem está acompanhando minimamente os protestos que acontecem com maior freqüência desde o ano passado sabe que os governos do PSDB estão entre os mais violentos e autoritários na repressão aos protestos. Quem não lembra do Pinheirinhos? Da ação higienista e autoritária na região chamada de “cracolância”, das ações da PM de São Paulo (líder em número de assassinatos no Brasil), etc. O proto-fascismo dos governos de São Paulo, comandados faz vinte anos pelo PSDB, é amplamente conhecido. 

O mais interessante é que Dilma e o PT tentam usar um verniz de esquerda, mas não conseguem. Os governos do PT foram os que não fizeram nada de efetivo para aumentar a participação dos movimentos sociais na política nacional, não fizeram nada contra a criminalização dos movimentos sociais e ainda é agentes efetivos na repressão contra quem discorda dos desmandos dos representantes do capital. Dilma colocou o exército na rua para garantir a entrega do nosso petróleo, apóia a militarização das favelas no Rio, não fez contra a violência aos movimentos sociais, nada pela desmilitarização da PM, colocou o exército para reprimir índios e camponeses em prol de latifundiários, seu governo decretou uma espécie de AI-5 que esteve válido durante a Copa e dava plenos poderes ao Estado para reprimir qualquer movimento contra a Copa (greves, protestos, debates, etc.), documento, inclusive, que falava dos movimentos sociais como “inimigos internos”. Sábado último quando 19 ativistas foram presos numa operação de exceção, uma clara ofensiva autoritária contra quem discorda dos ditames do capital, o governo Dilma não só não foi contra, como o seu Ministro da Justiça declarou apoio a operação. O mesmo Ministro que já declarou várias vezes apoio às operações mais brutais de repressão contra os movimentos sociais que os governadores praticam representando a burguesia. 

Enfim, o PT, PSB e PSDB além de representam essencialmente o mesmo projeto político, concordam em muitos pontos. São a favor da mais violenta e ampla criminalização dos movimentos sociais e dos discordantes políticos. 

Dilma decreta "Estado de Exceção" e envia Exército para conflito no sul da Bahia: http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-milanez/dilma-decreta-estado-de-excecao-e-envia-exercito-para-conflito-no-sul-da-bahia-6583.html

Editado o Ato Institucional nº 1 da era petista: http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=7019%3Aeditado-o-ato-institucional-no-1-da-era-petista&catid=65%3Alulismo

Estado de exceção é o “cacete” (por Mauro Iasi, candidato do PCB à presidência da República): http://blogdaboitempo.com.br/2013/12/11/estado-de-excecao-e-o-cacete/

Ministro da Justiça de Dilma declara apoio à operações ilegais: link:http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cardozo-prisoes-de-manifestantes-nao-foram-arbitrarias,1528643

Quando a Justiça rompe a democracia: http://outraspalavras.net/blog/2014/07/13/quando-a-justica-ameca-a-democracia/

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