terça-feira, 22 de julho de 2014


Hipócritas e embusteiros II: cadê o protesto dos liberais contra as prisões políticas e a criminalização dos movimentos sociais?

É de amplo conhecimento de todas e todas que desde o final da Copa do Mundo da Fifa o Estado brasileiro iniciou uma das mais amplas e brutais operações de criminalização da dissidência política. Vários ativistas políticos foram acusados de múltiplos crimes absurdos – entre eles formação de quadrilha – e uma das justificativas do Estado para decretar a prisão desses ativistas é que eles “pretendiam realizar protestos violentos no dia seguinte”. Sem mostrar qualquer prova dessa acusação, violando todo e qualquer princípio do Estado Democrático de direito. A advogada Eloísa Samy é uma das perseguidas políticas e teve que pedir asilo na embaixada do Uruguai. Algo que não acontecia desde a ditadura empresarial-militar (1964-1985). É óbvio que as notícias dos últimos dias não configuram-se como um “ponto fora da curva”. O Estado brasileiro é altamente autoritário, a “democracia política” no Brasil sempre foi algo brutalmente restrito, etc. Mas não deixa de chocar a radicalidade das perseguições.

Pois bem, os liberais, aqueles senhores e senhoras que se arrogam os defensores da liberdade, democracia e direitos individuais, não falaram quase nada sobre essas questões até agora. Temos quase quinze dias de início dessa repressão absurda e nada. Não deixa de ser curioso que os liberais são pouco eloqüentes quanto é para criticar a violência de reintegrações de pose, a violência das policias nas favelas, a criminalizações dos movimentos sociais, a violência contra camponeses e índios realizada por latifundiários, etc.

Entrei nos sites liberais mais famosos que temos no Brasil. O site do Instituo Mises não tem sequer notícia sobre o ocorrido dos últimos dias. Nada. Aliás, tive a curiosidade de colocar na sua guia de busca a frase “violência policial” e não apareceu uma só matéria específica sobre a questão. O site do Instituto Liberal tem uma matéria sobre a questão. Reproduzida da Revista Veja e que é uma peça de criminalização. Usando de forma acrítica o mesmo discurso do Estado e seus aparelhos repressivos. O site do Instituto Millenium não ter qualquer notícia sobre. O site do Estudantes Pela Liberdade (EPL) também não tem uma matéria sobre. Acho que a EPL só defende a liberdade dos estudantes burgueses (a maioria dos perseguidos são estudantes). A frontpage do Mercado Popular no Facebook também não publicou nada. Ou seja, temos um silêncio total e aterrador. Os liberais que fizeram uma campanha ridícula e raivosa contra as “perseguições políticas” (sic) na Venezuela e queriam a “cabeça” do Presidente Maduro, incrivelmente, não dizem nada contra as perseguições políticas realizadas no seu país numa lógica de Estado de exceção.

Pois bem, já mostrei em outro texto (leia aqui: http://makaveliteorizando.blogspot.com/2014/07/hipocritas-eembusteiros-o-liberalismo.html_) que os liberais não podem ser efetivamente contra as opressões (racismo, machismo, etc.). Temos mais uma prova de que a retórica deles de liberdade, direitos individuais e democracia é casuística, oportunista e hipócrita. Os liberais que normalmente são bem falantes para denunciar a suposta “ditadura cubana” (sic) são poucos falantes para criticar o Estado de Exceção em Israel, a militarização e letalidade do Estado colombiano, a monarquia ultra-reacionária na Arábia Saudita ou as prisões ilegais, tortura institucional e ataques com drones contra civis realizados pelos EUA contra o resto do mundo. É claro que os protestos que pipocaram no Brasil ano passado e continuam esse ano tem um sentido de esquerda. Embora com pautas múltiplas, o sentido geral é um combate às desigualdades socioeconômicas. A construção de serviços públicos universais e de qualidade que façam com que serviços indispensáveis a dignidade humana como saúde, educação, transporte público, etc., sejam do acesso de todos e não privilégios de classe. Talvez por isso, os liberais não se citam inclinados a defender a “liberdade” nessa questão. É óbvio que se o governo federal nacionalizasse uma empresa sem pagar indenização todos os liberais do Brasil iniciaram uma grande campanha contra o “Estado de exceção” e a “violação das liberdades individuais”. É por isso que digo: hipócritas e embusteiros!


Site dos liberais para conferir a ausência de notícias sobre:

2 comentários:

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