segunda-feira, 7 de julho de 2014


O capitalismo monopolista de Estado no Brasil e o governo do PT. 

Embora esse clima de Copa do Mundo esteja dominando o Brasil, para a infelicidade de muita gente, o mundo não parou. Essa semana tivemos uma importante notícia, fundamental para compreender o que se passa na economia brasileira. Os grupos educacionais Kroton e Anhanguera se fundiram e agora são uma única mega-empresa. Com capital de mais de 22 bilhões e 1 milhões de alunos. O PT em sua última conferência eleitoral afirmava que vem aplicando (e vai continuar nessa linha) um programa anti-monopolista. Mas qual é a verdade? 

Os governos do PT foram os mais eficientes atores, depois da ditadura empresarial-militar, no patrocínio e organização do fortalecimento do capitalismo monopolista no Brasil. Crédito fácil para compras, fusões, aquisições; apoio diplomático, logístico, financeiro e técnico para expansões pela América Latina e África; isenções fiscais escandalosas, transferência de fundos público ao capital privado; transferências de tecnologia pública sem custo; mega-obras, etc., criaram as condições ideias para o surgimento de gigantes "nacionais" com um poder assustador sobre a economia. Esse novo grupo educacional, que vem se beneficiando de forma escandalosa da transferência de fundos públicos à iniciativa privada, mostra que o processo de monopolização da economia atingi todas as áreas. 

A consequência disso é bem óbvia. Não precisa ser economista ou cientista político para perceber que quanto mais monopolizada a economia mais poder político e capacidade de controle sobre o conjunto da sociedade a classe dominante atinge. Em caso, por exemplo, de um possível governo popular (como na Venezuela) chegasse ao governo federal, seria muito fácil para a classe dominante organizar uma "greve de investimentos" ou uma "retenção de produtos" e provocar um caos social. Além de que esses grandes grupos econômicos financiam campanhas políticas, criam ONGs para divulgar o pensamento conservador e liberal (como o Instituto Millenium), articulam redes de cooptação nos aparelhos do estado para garantir seus interesses, comprar sindicalistas, subornam juízes, etc. Enfim, transformam seu poder econômico ampliado em maior capacidade de conquistar a hegemonia na sociedade e ocupar espaço nos aparelhos do estado, fortalecendo, é claro, a direita e o projeto burguês dominante. 

Tudo isso com total "benção" dos governos do PT. O governo Lula, inclusive, chegou ao ápice disso quando criou o programa do BNDS "Grandes campeãs nacionais", que tinha como objetivo criar grandes transnacionais brasileiras, estimulando, é claro, o processo de monopolização da economia. Gigantes como o Grupo Friboi e a Odebrecht são filhas desse processo. Para além da falsa polarização entre PT e PSDB, o fato é que o PT vem fortalecendo como nunca a classe dominante, enfraquecendo a capacidade de intervenção do Estado na economia e promovendo a hegemonia social burguesa. 

Notícias que exemplificam essa política do PT: 

http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/quatro-irmas-assim-atua-capitalismo-brasileiro-8489.html

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2014/07/fusao-dos-grupos-anhanguera-e-kroton-cria-gigante-da-educacao.html

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