terça-feira, 8 de julho de 2014


O fantástico mundo da ANEL: a defesa dos "vagões rosa". 

Acabei de ler na página da ANEL na net que a organização está defendendo e comemorando a aprovação, em São Paulo, dos "vagões rosas". Vagões no metrô exclusivo para mulheres, que serviriam para evitar abusos sexuais, recorrentes no transporte público. O texto da ANEL descreve os problemas diários de violência sexual e simbólica - amplamente conhecidos - e depois afirma que os vagões são uma medida emergencial para conter os abusos, mas que não devemos parar por aí. Que devemos aumentar as ações para acabar de verdade com o problema. 

Vejamos onde estão os erros. Primeiro, a ANEL abraça a proposta "salvacionista" dos conservadores. É óbvio, e não precisa ser especialista em transporte público para perceber isso, que além do domínio do patriarcado os abusos no transporte público são facilitados pela super-lotação diária em metrôs e ônibus. Com um aumento da frota, maior conforto e qualidade nos transporte, as condições objetivas que facilitam os abusos seriam reduzidas, o debate sobre o transporte público avançaria e teríamos uma união tática entre os movimentos que lutam pelo transporte público e os movimento feministas. Dentro de uma mesma ação poderíamos questionar a qualidade do transporte e os abusos que a mulher trabalhadora sofre no espaço público. Ao invés disso, a ANEL apoia uma "solução" conservadora, que deixa intacto os mega-empresários do transporte.

Além de apoiar esse expediente conservador, que deixa intacto a má qualidade dos transporte, a ANEL terá muita dificuldade para explicar como fica o "empoderamento feminino" quando se apoia segregar a mulher do espaço público com a ideia de protegê-la. Qualquer semelhança com a ideia de que a mulher não deve sair sozinha de casa, ser caseira, para evitar abusos e possíveis ataques não é mera coincidência. São ideias na mesma lógica. Fica também outra questão muito grave, que uma companheira da UJC chamou atenção: como ficará as mulheres que por qualquer motivo perderam o "vagão rosa"? Eles terão que entrar no "vagão normal" e serem olhadas como alguém que quis vim para o lugar onde existe abusos. Não é difícil imaginar machistas falando que se está no "vagão normal" é porquê é "safada" e quer "ser abusada". Como se já não bastasse, as mulheres trabalhadoras que dependem do transporte público tem mais esse problema. Enfim, segregação do espaço público, apoio à media de não-empoderamento da mulher trabalhadora, apoio à proposta mais conservadora das que estavam em debate.

Confira a nota da ANEL: https://www.facebook.com/anelonline/photos/a.714399785268686.1073741828.714346721940659/749149881793676/?type=1&theater

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