segunda-feira, 7 de julho de 2014


Por que a CartaCapital apoia Dilma mesmo? 

Acabei de ler o editoral da Revista CartaCapital, escrito por Mino Carta, que declara apoio à Dilma nas próximas eleições. Antes de entrar propriamente no conteúdo, é necessário parabenizar a revista por deixar claro sua posição política e não afirmar uma pseudo-neutralidade e imparcialidade jornalística que não existe, não pode existir e nunca existiu (embora existam regras e procedimentos éticos que configurem um bom jornalismo, que é longe de ser neutro). 

Mino, agindo como os monopólios de mídia, trata como se só existisse três candidatos: Dilma, Aécio e Campos. Depois disso declara seu apoio à Dilma afirmando que os outros dois candidatos representam um pensamento medieval de direita. É claro que Mino não vai conseguir explicar por que Dilma não representa o mesmo pensamento "medieval", afinal, nunca é demais lembrar, importantes setores do fundamentalismo evangélico e do conservadorismo político-moral não só apoiam o PT, como são indispensáveis ao seu governo. Se Silas Malafaia apoia o PSDB, Edir Macedo é apoiador do PT. Partidos como o PP e o PSC - ambos abertamente defensores do pior conservadorismo - são base de apoio nacional do PT. O PT, inclusive, está chorando lagrimas de sangue porque Maluf e o PP em São Paulo não vão apoiar Padilha (Marcos Feliciano também é da base de apoio do PT no Congresso). Que Eduardo Campos e Aécio vão jogar com um populismo conservador - àquele é contra a descriminalização do aborto, este é a favor da redução da menor idade penal - isso não é questionável, porém só um louco (ou muito governista) para afirmar que Dilma não fará o mesmo, afinal, em 2010 Dilma entrou no jogo conservador de José Serra e não existe qualquer sinal tangível de que ela adote postura progressista no tema dos costumes (para não falar da dependência do PMDB e os seus senhores feudais)

Mino também afirmar que os governos do PT, iniciados com Lula, abriram um horizonte de uma nova política social, de combate às desigualdades. Não vou me estender nisso, porém qualquer levantamento estatístico crítico mostra que os governos do PT provocaram maior concretação de renda, maior monopolização da economia, ganhos assustadores ao capital e mantiveram intacta a estrutura de propriedade da economia. O que os governos do PT provocaram foi aproveitando um ciclo de expansão do capitalismo (que não existe mais) combinado com políticas sociais focalizadas, abundância de crédito e valorização do salário mínimo (coisa que só se concretiza no segundo mandato de Lula) reduzir a pauperização e a miséria da classe trabalhadora, mas isso não significa distribuir renda e muito menos combater as desigualdades. As desigualdades estão piores, a diferenças é que "os de baixo" estão menos pauperizados e miseráveis. 

Por fim, o editoral afirma isso: "No caso do primeiro mandato de Dilma Rousseff, vale acentuar que a presidenta sofreu as consequências de uma crise econômica global, sem falar das injunções, até hoje inescapáveis, da governabilidade à brasileira, a forçar alianças incômodas, quando não daninhas". Oras, a tal da "governabilidade" só é "inescapáveis" quando acomodasse à ela, quando não existe uma perspectiva de enfrentamento e transformação radical - não necessariamente revolucionária - da ordem. Ou seja, CartaCapital termina seu editorial falando abstratamente das consequências da "crise econômica" e da uma "inescapável" governabilidade. A lógica é simples: o que houve de bom é obra do governo; o que houve de ruim não é culpa do governo (da conjuntura internacional, do sistema, etc.). Assim ficamos na verdade sem saber qual é a diferença substancial entre Dilma, Aécio e Eduardo Campos e seus respectivos projetos políticos e por que a CC apoia um e não outro. 

O Editorial da CartaCapital: http://www.cartacapital.com.br/revista/807/por-que-escolhemos-dilma-rousseff-131.html

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