quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sobre a criminalização da FIP e dos Anarquistas: os erros de alguns grupos de esquerda! 

O Fantástico, da Rede Globo, mostrou ontem que escrotice não têm limites. Os ativistas não são mais "militantes violentos". Agora são mostrados como terroristas. Queriam plantar bombas e explodir o Maracanã. Não vou entrar no cerne das FALSAS acusações; elas beiram ao ridículo. Vou me ater a outra coisa. A participação de certa esquerda, como linha auxiliar a direita, no processo de criminalização.

Ano passado, Gilberto Maringoni, membro do PSOL e candidato ao governo do Estado de São Paulo, declarou que os black blocs eram "marginais", "bandidos" e que "alguém deveria tirá-los da rua" (é lógico que só que tem poder para tirar um grupo da rua é o Estado). Jean Wyllys, Marcelo Freixo, Ivan Valente e o presidente do PSOL já declararam em inúmeras entrevistas que não apoiam nem a violência da PM e nem dos manifestantes. O PSOL, inclusive, tirou do seu site um texto de Edilson Silva que parecia elogioso à tática black bloc (quando o texto na verdade apenas não criminalizava e procura entender as razões sociais do surgimento e disseminação dessa tática entre a juventude). O que quero chamar atenção é que mesmo com toda violência do Estado, os membros do PSOL, negavam (e negam até hoje, em sua maioria) a legitimidade da autodefesa, da reação violenta dos manifestantes e colocam no mesmo nível - algo absurdo - a violência do Estado e a violência defensiva dos manifestantes (Marcuse morreria do coração se visse isso).

O PSTU se orgulha de ser o primeiro partido a criticar "publicamente o block bloc". Na verdade, o partido usou a tática retórica da direita para deslegitimar o uso da tática bb e seus aderentes. Usava um discurso do tipo: "são minorias infiltradas" (membros do PSOL também usam esse discurso), "eles não fazem parte da manifestação", "eles causam a reação violenta da polícia", "são provocadores" (a burguesia também diz que quem proposta são minorias no seio do povo pacífico, que quem passa por cima da direção pelega do sindicato são minorias arruaceiras, etc.). O fato é que ao caracterizar os aderentes da tática block bloc como "minorias", "infiltrados", etc., se está legitimando a violência do Estado contra eles, afinal, é fácil demais para o Estado apoiado nos monopólios de mídia dizer que está apenas reprimindo os "arruaceiros, bandidos" e não os legítimos manifestantes (depois colocasse contra a repressão não adianta muito).

Os monopólios de mídia desde o ano passado tentam de todas as formas criminalizar os protestos e os que lutam. Como as lutas populares estavam em um momento de ascensão, a criminalização tornasse muito difícil. Depois da Copa do Mundo ficou claro para a classe dominante que níveis de manifestação como do ano passado não apareceram no curto prazo. Então é a hora de partir para o contra-ataque. Os momentos de refluxo são os ideias. Ir contra a FIP e os anarquistas não é prova de que esses grupos são o "farol da revolução". Mostra tão-somente que o discurso do "bom manifestante" e do "mau manifestante" é agora ideal e que pelo discurso, estética e forma, é mais fácil colocar anarquistas e membros da FIP no rótulo do "mau manifestante".

É evidente que não estou dizendo que os anarquistas, FIP e os aderentes da tática black bloc são perfeitos. Pelo contrário. Muitos deles acabaram fetichizados pela violência. Faziam da ação direta um fim em si mesmo. São esquerdistas (viam em cada greve o começo da revolução e cada fim de greve a traição da revolução), muitas vezes desrespeitam as deliberações coletivas, são agressivos com quem discordam, etc. Mas, considerando a conjuntura do ano passado desse ano, o foco de TODA ESQUERDA deveria ser denunciar a violência do Estado (e eu faço uma autocrítica de várias posições minhas nessa questão). Além disso, equiparar a violência defensiva com a violência do Estado é um absurdo tão grande que chega a ser contrarrevolucionário. Espero que dessa criminalização toda aprendamos algo.

Ps: PT e PCdoB também tiveram e têm uma posição de destaque na criminalização dos anarquistas e da FIP. Mas não vale muito apena falar deles. PT e PCdoB, numa perspectiva ampla e não economicista, não são mais nem de esquerda.

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