segunda-feira, 11 de agosto de 2014


O PT, o fundamentalismo religioso e o fortalecimento do pensamento reacionário no Brasil. 

Essa semana a presidente Dilma do PT demonstrou que estelionato eleitoral não tem limites. Foi à inauguração do "Templo de Salomão" da IURD, mostrando que Estado laico é apenas retórica e que não tem a mínima intenção de taxar as igrejas e combater o fundamentalismo religioso. Mais sempre pode piorar. Depois disso declarou durante o Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus que "O Estado brasileiro é laico, mas, citando o salmo de Davi, queria dizer que feliz é a nação cujo Deus é o senhor". Porém será mesmo que isso é surpresa?

Na campanha eleitoral de 2010, Dilma e Serra fizeram uma disputa encarniçada para ver quem era o mais fundamentalista. Ambos foram para missas e cultos, apareceram beijando estátuas de santos, fizeram do combate à descriminalização do aborto dogma de fé e faziam de tudo para renegar seu passado herético (Serra queria deixar claro que não tinha mais qualquer ideia liberal nos costumes e Dilma mostrar que não tinha mais nada de feminista). Antes disso cabe lembrar que o PT desde o primeiro mandato de Lula abraçou - ainda que de forma tímida - o fundamentalismo religioso. Partidos como o PP e o PSC são da base de apoio do governo. Marcos Feliciano, Marcelo Crivella e Jair Bolsanaro também. Crivella que é inimigo declarado dos gays já foi até ministro do governo do PT. O PT já tem inclusive deputados que fazem parte da bancada evangélica. Não custa lembrar que o infame Marcos Feliciano só se tornou presidente da Comissão de Direitos Humanos em um acordo com o PT. 

Quando CartaCapital declarou apoio à Dilma, alegando que se ela perdesse teríamos a volta da "direita medieval" ao governo federal, questionei em meu blog (http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2014/07/por-que-cartacapital-apoia-dilma-mesmo.html) o quanto essa avaliação estava errada. Do ponto de vista político, o pior conservadorismo no Brasil é representado pelos coronais "aburguesados" que são uma mistura de latifundiários do começo do século XX com burguês moderno. Sarney, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Katia Abreu, etc., representam o que de pior tem a "nossa" classe dominante (e são do atual governo do PT). Do ponto de visto ideológico e cultural o fundamentalismo religioso é o que de pior temos em termos de conservadorismo. Se o governo do PT não é o escolhido preferido do fundamentalismo religioso (e realmente não é), ele não faz o mínimo de oposição a esse movimento reacionário e ainda o apoia. Dilma deixa claro que seguindo a linha do seu primeiro mandato um eventual segundo será cada vez mais conservador e terá fortes traços de reacionarismo. Fica o duro trabalho para os apologistas do governismo de mostrar esse governo como popular ou mesmo de esquerda!

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