quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A proporção de negros por 100 habitantes em Connecticut é de três, mas nas prisões a população de cor representa cerca de 33% do total. dos 182 internos que eu acompanhei pessoalmente, 76 não sabiam escrever e 30 eram também incapazes de ler uma letra sequer. Sessenta eram órfãos de pai e mãe desde a primeira infância, ao passo que 36 perderam os pais antes de completar 15 anos de idade" - Carta do Sr. Barret, capelão da Penitenciária de Wethersfield para Beaumont e Tocqueville. 7 de outubro de 1831.
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"Finalmente, com base nas taxas de encarceramento do início dos anos 1990, a probabilidade acumulada de, durante a vida, alguém ser 'engaiolado' numa prisão estadual ou federal é de 4% para os brancos, 16% para os latinos e 29% para os negros. Levando-se em conta o gradiente de de classe que afeta o encarreiramento, estes números sugerem que uma maioria dos afro-americanos de condição (sub-)proletária purgará uma pena de privação da liberdade de um ano ou mais (e, em muitos caos, várias penas longas), em algum momento de sua vida adulta" Loic Wacqunat - punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. Editora Revan, p. 334. Ano da edição: 2007 [dados dos anos 90].
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"De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais - que incluem emprego, saúde e educação - entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander." Matéria do site Opera Mundi de 2014:http://operamundi.uol.com.br/…/sem+tempo+para+sonhar+eua+te…
A conclusão é simples: seja no século XIX, seja nos anos 1990, seja no século XXI, os negros continuam sendo as maiores vítimas do "american way of life". É uma longa tradição de séculos de dominação racial e despotismo brutal. Essa é a terra da liberdade; a terra adorada por Hannah Arendt e o establishment!

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