sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Uma lembrança para quem já perdeu antes de sair o resultado do segundo turno!

Tentamos de forma insistente, eficiente e perene exterminar a(s) população(es) indígena do Brasil. Até agora não conseguimos, mas estamos quase lá. Falta pouco. Nessa eleição, como na de 2010, pautas fundamentais não foram centrais no debate político - por vários motivos que não cabe elencar aqui. Nos debates televisivos, momento de maior destaque do processo eleitoral, só quem falou de demarcação de terra indígenas foi Luciana Genro do PSOL. Mas mesmo assim, sem muita ênfase, nem maior profundidade. O PSOL, como todo mundo sabe, é um partido majoritariamente urbano e até onde sei não tem ligações orgânicas com o movimento indígena. Seria esperar demais do partido esse tema ter centralidade no seu discurso. Mas voltando a nossa missão secular - exterminar a(s) população(es) indígena - vamos ver qual é a situação atual.

A subida do PT ao Planalto Central trouxe em todos os segmentos progressistas da sociedade muita esperança, mas logo se percebeu que o medo venceu a esperança. Nos governos do PT o agronegócio foi alçado ao posto de orgulho nacional e o latifundiário "moderno" financiado pelo BNDS virou o novo "Tiradentes". A bancada ruralista é base de apoio do PT no Congresso e o Ministério da Reforma agrária virou o comitê executivo do agronegócio. Consequência: o número de indígenas assassinados durante o governo Dilma é o maior desde 1985. Durante o governo Lula o número de indígenas assassinatos subiu 271% e em números frios temos isso: "De acordo com o CIMI, foram registrados 167 assassinatos de indígenas no governo FHC, média de 20,8 mortes por ano. Já no governo Lula o número subiu para 452 assassinatos, 56,5 em média por ano, ou crescimento de 271%. Em 2011, o primeiro ano do governo Dilma, foram contabilizados 51 assassinatos de indígenas pelo CIMI e em 2012 outras 57 mortes, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), média de 54 mortes por ano, próxima à do governo Lula e 260% maior do que a do governo tucano."[1]

Não precisa nem lembrar que o governo Dilma faz a pior política agrária (para os de baixo) das últimas décadas. A pior política ambiental dos governos do PT e não existe qualquer sinal de mudança de rumos. Não foi Káthia Abreu, principal nome do agronegócio e pessoa que sonha todo dia exterminar todos os índios do Brasil, que apareceu no primeiro programa do PT para o segundo turno? Não é Gleisi Hoffmann, ex-ministra da casa civil e candidata [derrotada] ao governo do Paraná pelo PT, que defende de forma violenta e perene o fim da preservação das terras indígenas? Não foi o governo Dilma que usou várias vezes a Força de Segurança Nacional para reprimir indígenas que lutavam contra latifundiários que queriam tomar suas terras?

O único grande "mérito" do governo do PT foi não ter cedido [ainda] as pressões e manter o poder de demarcação das terras indígenas no Executivo. A Bancada Ruralista quer que esse poder fique no Congresso Nacional. Onde a Bancada Ruralista agora tem maioria absoluta (51%). É evidente que um governo de Aécio Neves seria mais agressivo e violento com as populações indígenas. Por isso digo que eles já perderam. Os dois projetos postos serão instrumento no seu extermínio. A grande dúvida é: prefere ser exterminado de forma rápida e brutal (PSDB) ou de forma mais lenta, com alguns recuos esporádicos, mas também brutal (PT)?

Hannah Arendt, quando escreveu seu livro "Da Revolução", afirmou que a Revolução Americana criou um "corpus políticos" que promoveu a libertação e a liberdade do povo americano. A participação política na esfera pública, a garantia das liberdades negativas e evitou o totalitarismo. Quem sabe, daqui a uns vinte anos, alguém não lança um livro afirmando que o século XXI consolidou a democracia brasileira e garantiu a participação política. A pessoa que escreverá esse livro, assim como Hannah Arendt, deve esquecer que exterminamos 50 mil pessoas por arma de fogo todo ano (em sua imensa maioria negros, pobres e jovens) e que exterminamos nossa população indígena (Arendt "esqueceu" que a Revolução Americana provocou a Marcha para o Oeste, levando ao extermínio de 18 milhões de índios e manteve a escravidão dos negros).

[1]http://ultimosegundo.ig.com.br/…/assassinatos-de-indigenas-…

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