terça-feira, 25 de novembro de 2014

A "mendiga" modelo


Os monopólios de mídia acharam mais um "objeto" (é assim que a menina é tratada) para ganhar audiência: a história triste da modelo rica (Loemy Marques), bonita e bem sucedida que parou na "cracolândia" e virou moradora de rua. Antes de tudo, é sempre importante chamar a atenção para os elementos racistas e eugenista de fatos como esse: temos milhares de pessoas vivendo na rua sem ter as mínimas condições de dignidade. A imensa maioria é composta de negros e negras. A naturalização dessa tragédia diária é feita de duas formas:

I) Invisibilizar. Não falar do tema, tratar essas pessoas como se elas não existissem; não falar delas na imprensa, na Academia, nos discursos políticos, nos filmes, nas músicas, nos livros etc.

II) Criminalizar. Tratar sua tragédia social como fruto de desvios individuais ético-morais. Não é raro em discursos políticos e midiáticos tratar pessoas em situação de rua como seres "drogados", preguiçosos, criminosos que escolheram seu "destino". Ao fazer isso, criasse um discurso de que a questão é "caso de polícia". O velho hábito do pensamento liberal-burguês de culpabilizar o individuo por mazelas sociais.

Pois é, ao naturalizar e invisibilizar a tragédia diária dessas pessoas e ao mesmo tempo publicizar de forma ostensiva a história da "mendiga modelo" os monopólios de mídia passam uma mensagem muito clara: o lugar de alguém branco, "bonito" e bem educado não é dormindo na rua; não é na "cracolândia". Os "outros" (por é assim que são tratados) tudo bem, mas alguém com essas características não! Reforçando uma estratificação socioeconômica racista.

É como o usuário de drogas ilegais que é humilhando, espancado e muitas vezes morto pela PM e o jovem de classe média que "merece" cuidados médicos, amor e compreensão para "reencontrar o rumo". A sensibilidade com a tragédia humana no capitalismo não pode ser seletiva, do contrário estaremos reproduzindo - mesmo que sem saber - a ideologia da classe dominante!

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