sábado, 15 de novembro de 2014


Mês da Consciência Negra: o sangue de Cláudia Silva Ferreira grita por justiça. 


Estamos no mês da consciência negra, mas sem tempo para sonhar. Alguns dias atrás aconteceu uma grande chacina em Belém do Pará cometida pela Polícia Militar com várias pessoas assassinadas, baleadas e agredidas. Chacinas assim que são comuns no Rio de São Paulo. A presidente Dilma não falou nada, os monopólios de mídia fizeram questão de não dá repercussão ao caso e só poucas pessoas lembram-se do acontecido. Essa semana foi divulgado um novo relatório sobre a violência no país: a polícia matou entre 2009 e 2013 em média seis pessoas por dia. No total matou mais de 11 mil pessoas. Número de assassinatos que a polícia dos Estados Unidos (o maior aparelho repressivo do mundo) leva trinta anos para conseguir. E é sempre importante lembrar: entre os 55 mil assassinados por anos e os mais de 600 mil presos do nosso sistema carcerário (semelhante a campos de concentração) a imensa maioria são negros-pobres e homens. 

Os governos de coalizão comandados pelo PT provocaram um efeito interessante: algumas políticas públicas para redução da desigualdade material entre negros e brancos - como cotas nas universidades e concursos públicos -, mas manutenção e reforçamento de todas as estruturas repressivas de extermínio e controle da população pobre-negra. Dilma, inclusive, age no sentido de reforçar a militarização das favelas e da segurança pública. Aprovou a legislação que arma os guardas municipais (teremos agora mais agentes públicos prontos para matar), aprova e apóia a ocupação militar nas favelas do Rio (como na favela da Maré), defende mudar a Constituição para permitir o uso constitucional das Forças Armadas na segurança pública (hoje é inconstitucional), não tem qualquer proposta pela reforma (anti-mega encarceramento) do sistema prisional e a política de guerra às drogas também será mantida. Em resumo: os negros hoje têm maiores oportunidades de ascensão social e maiores chances de ser preso e exterminado pela polícia e/ou na guerra às drogas. 

Por fim, no mês da consciência negra, uma notícia mostra como a carne "mais barata do mercado continua sendo a carne negra". Os polícias que mataram Cláudia da Silva Ferreira, mulher trabalhadora e negra assassinada a tiros e que teve seu corpo arrastado pela polícia militar, serão julgados pela Justiça Militar. Só o fato de serem julgados pela justiça militar já deixa claro que eles serão inocentados. Além disso, o Ministério Público do Rio retirou o processo contra os polícias por homicídio doloso e eles serão julgados por homicídios culposos, ou seja, sem INTENÇÃO DE MATAR. Em resumo: os monopólios de mídia fazem de tudo para não tornar a violência policial um grande tema do debate público, o Ministério Público, Governo Federal, Estadual, Congresso e Judiciário fazem tudo para não mudar essas estruturas repressivas essenciais ao controle e extermínio da classe trabalhadora e a Universidade tá mais preocupada em debater a pós-modernidade do que o extermínio em massa cotidiano. Enfim, nada para comemorar no mês da consciência negra, mas muita luta pela frente! 

Notícia sobre o processo dos assassinos de Dona Cláudia:http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/11/pms-do-caso-claudia-se-livram-de-responder-acao-na-justica-comum.html
Sobre a letalidade da PM:http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/11/1545847-em-5-anos-policia-brasileira-matou-em-media-6-pessoas-por-dia-diz-estudo.shtml

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