sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Quem financia os monopólios de mídia no Brasil?

Com o escândalo de corrupção na Petrobras, duas estratégias estão sendo colocadas em prática pelos monopólios de mídia - representantes da fração financeira do capital monopolista: usar o escândalo como "argumento" para completar a privatização da Petrobras (que já é em parte privatizada); tentar o impeachment da presidente Dilma. Em momentos de ataques como esse, os defensores do Governo sempre lembram-se de falar da ação dos monopólios de mídia, principal braço de oposição institucional aos Governos [de coalizão] do PT. O Interessante é que não existiria os monopólios de mídia sem o apoio do Governo Federal do PT.

Quando Lula chegou ao governo houve uma relativa "democratização" do orçamento estatal em anúncios publicitários para os veículos de mídia. O número de empresas que recebiam verbas via contratos passou de 4,4 mil para 10,8 mil. Mas não foi uma ação no sentido de combater a monopolização das comunicações no Brasil. A estratégia do Governo Petista pareceu tender criar uma rede de informações contra-hegemônicas para defender seu governo, mas sem mexer no essencial do poder dos monopólios da comunicação. Isso se refletiu na destinação do orçamento de publicidade. Os principais monopólios de mídia do país receberam entre 2000 a 2013 do Governo Federal em contratos de publicidade:

Rede Globo, 5 bilhões
Editora Abril, dona da revista Veja, 523 milhões;
TV Record , 1,3 bilhão;
SBT, 1,2 bilhão;
Band, 1 bilhão;
Folha de São Paulo, 266 milhões;
O Estado de São Paulo, 188 milhões;
Revista Isto É, 179 milhões [1]

Não precisa nem argumentar muito. Se esse orçamento de publicidade fosse destinado para veículos de mídia alternativa, progressista, democrática e de esquerda, o pensamento conservador perderia espaço, o próprio PT não seria tão "vítima" dos atuais ataques virulentos e muitos "barões da mídia" iriam simplesmente à falência. Emissoras gigantes como a Rede Globo não conseguem manter-se de pé sem o orçamento estatal.

Ao invés de parar de financiar esses parasitas, o Governo Federal mantém verbas astronômicas, persegue rádios comunitárias [2], aplicou um modelo monopolista na instalação da TV Digital, não enfrentou de verdade a questão da democratização da mídia e colocou como Ministro da Comunicação (no Governo Dilma) alguém que é declaradamente contra a democratização da comunicação - o infame Paulo Bernardo [3]. A conclusão é clara: a estratégia de conciliação de classe do PT é responsável por manter e reforçar o poder dos "barões da mídia" que atuam como principal aparelho ideológico da classe dominante em nosso país.

[1] -  dados sobre os valores dos contratos de publicidade:http://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/sobre-publicidade-estatal-e-transparencia-7735.html?utm_content=bufferbf905&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer
[2] - http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/200b200bpor-causa-da-copa-anatel-anuncia-aumento-da-criminalizacao-das-radios-comunitarias-2865.html
[3] - uma crítica geral a política à política tocada pelo Governo Federal:https://www.facebook.com/ocupa.a.rede.globo/photos/a.274604465939144.62949.272904466109144/740922942640625/?type=1

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