sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A revolução bolivariana, os ataques do imperialismo e os erros da "esquerda idealista".




O judiciário da Venezuela, depois de ampla investigação dos serviços de inteligência do país, mandou prender o prefeito de Caracas, um sujeito chamado Antonio Ledezma. Ledezma foi um dos articulares do golpe de estado de 2002 e do "paro petrolero" de 2003-2004 (quando a burguesia paralisou a produção de petróleo e derivados do país), ou seja, é um golpista de longa data. Mais assim estava livre, dispunha de todos os direitos políticos e participativa de eleições regularmente - provando que a Venezuela tem excesso de democracia.


Qualquer ser humano bem informado sabe que a burguesia interna e o imperialismo estadunidense trabalham sem parar para derrubar a revolução bolivariana. Mais de cinco tentativas abertas de golpe de estado, assassinato de autoridades e líderes políticos, crise de abastecimento, contratação de mercenários da Colômbia, ação constante de ONGs para fomentar oposição artificial, financiamento da oposição em processos eleitorais pelo Departamento de Estado dos EUA, tentativa constante de cooptar as Forças Armadas para um golpe de estado e por aí vai. Nos últimos meses, depois da morte de Chávez e com o impasse da direção atual do PSUV (partido no governo), a burguesia e o imperialismo partiram para uma ofensiva de "tudo ou nada" e pretendem finalmente acabar com a experiência anti-imperialista mais avançada da América do Sul.

A revolução bolivariana chegou a um impasse: não é mais possível conviver com a dualidade de poderes. A burguesia perdeu a hegemonia cultural (não é mais a dirigente ideológica da sociedade), o povo trabalhador é cada vez mais organizado e ativo politicamente e o aparelho do Estado foi reconstituído de uma forma - famoso processo de Refundação do Estado - que propicia uma ampla e vigorosa participação popular e democracia de base; contudo, a burguesia continua tendo o poder econômico - a propriedade privada dos meios de produção -, forte poder ideológico e apoio financeiro, militar, diplomático e logístico do imperialismo estadunidense. Ou o povo trabalhador conquista o poder econômico ou a burguesia reconquista o poder político - que nunca perdeu totalmente. Infelizmente não existe alternativa.

Nesse momento a "esquerda idealista" e reformista cumpre um papel nefasto e efetivamente contrarrevolucionário. Ao focar no suposto autoritarismo do presidente Maduro, deixando na sombra todos os ataques do imperialismo e da burguesia interna, a "esquerda idealista" que pensa a democracia [burguesa] como "valor universal" serve como um hábil instrumento de propaganda do departamento de Estado dos EUA. A burguesia e os EUA atacam o governo de todas as formas inimagináveis e quando o governo responde de forma dura vem os clamores por democracia e constitucionalidade dos mesmos sujeitos que tentam há anos dar golpes de estado. Nesse momento a única posição acertada dos comunistas e de todos os internacionalistas é: solidariedade incondicional com a revolução bolivariana, denúncia implacável do golpismo da burguesia e do imperialismo e combate à campanha mundial de desinformação contra a Venezuela. Qualquer coisa fora disso, é idealismo de quem acha que vai enfrentar as armas da OTAN com palavras belas e idílicas sobre democracia e com livros do Carlos Nelson Coutinho.

Algumas notícias para se informar do caso: http://www.diarioliberdade.org/america-latina/institucional/54390-prefeito-de-caracas-%C3%A9-preso-por-suposta-tentativa-de-golpe-de-estado.html#.

http://www.diarioliberdade.org/america-latina/reportagens/54399-funcion%C3%A1rios-da-prefeitura-metropolitana-de-caracas-apoiam-pris%C3%A3o-do-prefeito-ledezma.html

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