quarta-feira, 4 de março de 2015

O curioso caso de Eduardópolis e o uso político da memória no coronelismo “moderno”.


O coronelismo é uma prática secular na história política brasileira. Conceito com várias definições, normalmente, é associado à ideia de um grupo político que controla as instituições e a dinâmica social a sua volta, negando qualquer democracia e colocando sua vontade pessoal como se fosse um imperativo "público".  Pernambuco está acompanhando uma grande demonstração de coronelismo “moderno”, com toques de propaganda de massa e técnica de marketing avançada. O uso político da “memória” do ex-governador Eduardo Campos para a promoção do grupo político que colocasse como seu herdeiro chegou ao nível do bizarro, do quase inacreditável. O Hospital da Mulher do Recife, obra da prefeitura, será chamado de Hospital Governador Eduardo Campos!

Em Eduardópolis, ou melhor, Pernambuco, o grupo político do PSB aproveitou cada momento da morte trágica de Eduardo. O velório foi uma espécie de mega-comício político, o luto uma forma de ganhar votos, o “sofrimento” da família Campos um artifício para tentar puxar votos para Aécio Neves (tenho quase certeza que Eduardo Campos não discordaria desse artifício). Mas Campos com sua mentalidade autoritária e centralista não criou quadros de popularidade no seu partido. Figuras medíocres e com perfil mais técnico como Geraldo Julio e Paulo Campos (opa, quer dizer: Paulo Câmara) são o seu legado. Sem a figura carismática, a “solução” encontra pelo grupo político no governo foi criar uma onipresença de Eduardo Campos em todos os lugares possíveis, e é claro, se reivindicar como os únicos sucessores legítimos do “legado eduardiano”.

Nada melhor para coroar essa política do uso da memória do que encher com o nome do ex-governador vários empreendimentos e lugares simbólicos. Segundo reportagem da Folha de São Paulo [1], a Câmara Municipal do Recife e a Assembléia Estadual de PE, têm juntas 13 projetos para “homenagear” Eduardo Campos. Em quase todas a “mística” é colocar o nome “Governador Eduardo Campos” e depois o nome do empreendimento. A lista de rebatizamentos segue assim:

- Um complexo turístico-portuário
- A empresa estatal de turismo
- A companhia Editora de PE
- O parque industrial de Bezerros
- A estrada que liga Camaragibe a São Lourenço da Mata
- Um trecho da BR-101
- Um posto de Saúde
- A via Mangue
- Uma medalha de honra
- E o Galo da Madrugada esse ano teve os olhos “claros” em homenagem ao ex-governador.

Eduardo Campos se notabilizou por usar uma síntese criativa de medidas paliativa de muito efeito, mas desastrosas no longo prazo (como o Pacto Pela Vida), forte repressão aos discordantes e amplo investimento em marketing para criar uma imagem do  governo e do seu perfil “administrativo” que não correspondiam em nada a realidade. Seus sucessores, sem a mesma criatividade, agarrados ao governo como ervas daninhas, procuram de forma ridícula e caricata construir legitimidade social através do uso político da memória de Campos. Chegamos numa situação tão curiosa que ao que parece só o Maranhão de José Sarney deu exemplo de maior patifaria coronelista. E assim caminha Eduardópolis! Em breve o PSB descobrirá que é impossível viver só de propaganda.

[1] -http://brasil.blogfolha.uol.com.br/2014/11/24/empresas-obras-e-ate-adutoras-podem-ganhar-o-nome-de-eduardo-campos/


3 comentários:

  1. São socialistas, têm apego ao que é do estado.

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    1. Eles são tão socialistas quanto o PSDB é social-democrata e o DEM é democratas.

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    2. Eles são tão socialistas quanto o PSDB é social-democrata e o DEM é democratas.

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