terça-feira, 19 de maio de 2015

Luciana Genro e a Coréia do Norte: reprodução do senso comum e eleitoralismo de "esquerda"


Luciana Genro deixa claro mais uma vez o quão trágicas são suas concepções geopolíticas. Primeiro “nossa” ex-candidata à presidência pelo PSOL apoiou os mercenários fundamentalistas e a OTAN na invasão neocolonialista na Líbia afirmando tratar-se de uma “revolta popular”. Depois declarou apoio aos nazistas da Ucrânia que queimavam comunistas por esporte. De novo, a alegação é que se tratava de uma “revolta popular” (é lógico que não aconteceu autocrítica em nenhum dos dois casos). Não satisfeita, ela afirma numa entrevista dada à Folha de São Paulo, pouco antes do início da campanha eleitoral, que Cuba não é uma democracia por não ser “multipartidária”, explicitando ignorância sobre o sistema político de Cuba e sua concepção liberal-conservadora de democracia. 

Agora a vítima da vez é a Coréia do Norte. Sabemos que a Coréia é um dos países mais agredidos do mundo e que sofre uma sistêmica campanha de difamação, pressões militares, econômicas, diplomáticas e institucionais. Nessa conjuntura, não existe duas opções: ou apoiasse o direito da Coréia à sua autodeterminação, a decidir seu destino; ou apoia ainda que veladamente os ataques imperialistas dos EUA e dos seus aparelhos ideológicos. Dizer que é contra as agressões imperialistas dos EUA à Coréia e não combater, por exemplo, a campanha mundial de desinformação, é soltar palavras vazias para tentar disfarçar a ausência de qualquer traço de internacionalismo. E que fique claro: a questão aqui não é achar exemplar ou não o modelo político-econômico da Coréia. É simplesmente mostrar que toda campanha de difamação contra o país têm objetivos militares neocoloniais e que é dever de todo comunista e socialista defender a autodeterminação dos povos (e não reproduzir o discurso sobre o "eixo do mal" do imperialismo). 

De resto, cabe destacar a concepção confusa de socialismo que Genro apresenta no seu ataque à Coréia. Ela diz, por exemplo, que esse “seu socialismo” no econômico garantirá: “um modelo que não coloque o lucro acima da vida e do bem estar das pessoas. Um sistema que garanta moradia, saúde, educação, cultura para todos e todas”. Educação, moradia, saúde e cultura a URSS garantiu para todos e todas por décadas. Cuba garante até hoje. Esse “novo modelo” da Genro é bem velho. Além disso, esses direitos sociais podem existir em modelos socialistas ou social-democratas, como a Finlândia. O “socialismo” de Genro não fala em socializar os meios de produção e nem em planificar a economia. Mas não para por aí. Na política ela quer “democracia real”. O que, na boa, não sabemos o que é. Ela não diz (talvez os nazistas na Ucrânia nos expliquem) 

O texto é uma mistura de palavras que não dizem nada. Dialoga bastante com um senso comum forjado pelos aparelhos ideológicos da classe dominante e demonstra como preocupação central: deixar claro que não tenho nada haver com a Coréia do Norte. Se minha atitude contribui de alguma forma para acontecer com a Coréia o que aconteceu com a Líbia, Iraque ou Afeganistão, na lógica da Genro, isso não importa. Importante mesmo é deixar “limpa” a imagem para a próxima eleição. 

A nota de Genro sobre a Coréia do Norte: https://www.facebook.com/LucianaGenroPSOL/posts/954429997935235?fref=nf

2 comentários:

  1. Eu explico: ela é social-democrata disfarçada, não tem nenhuma pretensão de fazer a revolução socialista, também não se vê no dever de defender qualquer outro país no mundo, por isso só fala merda, seu discurso lembra muito o Partido Democrata americano, direitos civis para os gays e o resto deixa para lá. Aliás, já vi um elogio dela à Obama. Triste ver isso, já que PSOL é o segundo partido de Esquerda depois do PT (que já abandonou seus ideais a muito tempo)

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  2. Pois é, mas o pior é a base do partido, em sua maioria, concordar com as declarações de Genro.

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