domingo, 12 de julho de 2015

CONTRIBUIÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DE PLENÁRIAS E FÓRUNS DE UNIDADE NA AÇÃO E LUTA

Partidos, sindicatos e movimentos sociais nas plenárias e fóruns de unidade de ação e luta.

Por: Marcelo Schmidt

O Brasil hoje, no inicio do século XXI assiste ao acirramento da luta de classes, e insere-se no conjunto de países que possuem alto grau de desenvolvimento do conjunto das forças produtivas; também possui o seu conjunto da classe trabalhadora, especialmente a sua classe operária estatisticamente significativa no marco da sociedade, e politicamente organizada; seja no ponto de vista corporativo do ponto de vista sindical, seja do ponto de vista universalizante através dos partidos políticos. Entretanto, isso não significa que temos hoje um horizonte socialista. Por outro lado, o capitalismo é insustentável para a manutenção da vida que ele promete no nosso planeta. E tanto no centro como na periferia do capitalismo, não ter trabalho, não ter educação, não ter um propósito para sua comunidade, para si mesmo, e para a humanidade é a regra e não a exceção. A base da contribuição deste papel é contribuir para o processo de organização da classe operária e da classe trabalhadora com viés classista, da sua conscientização para além das demandas imediatas, contra o capitalismo, e para a construção da transição socialista.

Uma das maneiras que a classe trabalhadora, especialmente falando, a classe operária tem se organizado é sob a forma de plenárias e fóruns de unidade de ação e luta que em cada cidade e Estado tem um nome diferente. O importante é ter sob o foco da nossa análise que as plenárias e fóruns, a que nos referimos, se situam entre o trabalho de base ou de expansão sindical / popular, comuns da atividade corporativa de um lado, e a construção estratégica do bloco histórico do outro. Portanto entre o bloco sindical / popular pela base, e o bloco anti-capitalista e anti-imperialista como objetivos históricos; cujos atores são os sindicatos, os movimentos sociais e os partidos políticos que tem a centralidade do trabalho e a luta de classes como parte de suas ações, e que tem como objetivo final a construção do bloco histórico e do partido político revolucionário da classe trabalhadora para tomar o poder.

A intenção é teorizar sobre como estes fóruns e plenárias de unidade de ação e luta se situam entre a base e o bloco histórico. Inicialmente, os fóruns e as plenárias de unidade de ação, quando classistas, são espaços privilegiados e prioritários de luta, e são importantes contribuições para a construção da greve geral. Eles também são permeados pela construção de poder popular e, no caminho da construção do poder popular e do bloco histórico, estes espaços tornam possível o encontro da base corporativa com o esforço universalizante da revolução socialista. O poder popular a qual nos referimos aqui significa a construção do poder da classe trabalhadora, nunca algo deslocado ou descolado do seu papel preponderante no confronto com o Estado burguês. Entendemos o poder popular como poder produzido para confrontar e desafiar e destruir o Estado burguês. Um poder de insurgentes, desafiador, que ao mesmo tempo tem a consciência do seu papel de confronto na centralidade do trabalho e na luta de classes. Um novo poder para desafiar e lutar, e ousar tomar o poder daqueles que se constituíram sob o Estado burguês.

As plenárias e fóruns não são necessariamente espaços de construção da revolução, mas precisam ser espaços disputados para este fim. E também não substituem o partido revolucionário, que é o único agente desta revolução; mas podem ser espaços que articulam e albergam partidos, sindicatos, e movimentos sociais em luta, que são sujeitos deste processo. As plenárias e fóruns, quando classistas, agem diretamente para aglutinar forças, cuja centralidade do trabalho, está mais próxima das demandas históricas, sem deixar de lado as demanda imediatas dos trabalhadores. Na centralidade do trabalho e no papel preponderante do partido revolucionário existe uma base que precisa agir em sinergia com outras forças não corporativas; isso significa, agir para além do trabalho de base e de expansão sindical, e agregar esforços de diferentes lutas que estão separadas localmente, mas são anti-capitalistas e anti- imperialistas globalmente; juntá-las em uma pequena plenária, e mostrar que existe acúmulo no processo local de luta e criação de poder popular na produção do processo de insurgência organizativa local, através da própria ação de criação e acúmulo de poder popular.

Poder popular alimentado pelo trabalho de base, da expansão deste trabalho, da formação das plenárias e fóruns, nas ações que retornam às ruas e locais de trabalho energizadas com a sinergia classista da unidade de ação na luta que não deixa de ser programática minimamente; que age na construção da greve geral, do bloco histórico, na construção do partido e do processo revolucionário. A sinergia do poder popular gerado entre as ruas e os locais de moradia e de trabalho; a criação de poder popular e da consciência de auto-gestão pode e deve contribuir para o processo revolucionário e a energia revolucionária deste processo; com sua teoria geral e prática adaptada à formação das plenárias, fóruns e demandas, porque o poder popular se fará sob diferentes formas para um objetivo final comum revolucionário. Propor a construção de poder popular oriundo de uma base classista e articulada é propor, a luta local contra o capitalismo sem perder a capacidade de lutar globalmente contra o capitalismo e vice-versa. A classe operária se exercita na construção de poder popular. Por isso é importante gastar mais tempo nestas conexões de luta, gastar tempo como se gasta no trabalho de base sindical / popular.

A ofensiva do poder popular se faz através da classe operária, e a participação dos sindicatos classistas de referência é importante na amálgama e criação do bloco histórico e do partido revolucionário. As plenárias e fóruns precisam ser um espaço para a produção da luta unitária, de um programa classista, e sob orientação de partidos que não agem apenas por reforma, mas principalmente pela construção do processo revolucionário. A alternativa de construção de poder popular através das plenárias e fóruns de unidade na luta é na sua essência uma teoria revolucionária, quando a construção desta teoria é uma construção alicerçada no Marxismo Lenilismo, cujo objetivo da sua prática é fortalecer o processo revolucionário. Os integrantes estratégicos para se construir um fórum ou plenária de unidade de ação e luta pode variar de plenária para plenária e fórum para fórum, mas em linhas gerais são: os partidos, os sindicatos, e os movimentos sociais que tem uma atuação classista, e em meio a sua agenda corporativa tenham a transição socialista no seu programa, e a sua construção como prática diária. Sindicatos referência ou guarda-chuva são aqueles que todos reconhecem desta forma neste espaço, aqueles que a comunidade local vê como espaço e estrutura progressista de luta. A construção de poder popular através da construção de plenárias e fóruns pode acontecer permanentemente utilizando o espaço e a estrutura de um ou mais sindicatos de referência. Ou podem acontecer em torno de uma demanda geral de caráter nacional, como assistimos a unidade de ação em torno do combate à lei das terceirizações no Brasil em 2015.

Qual seria, portanto, para nós comunistas o objetivo da nossa ação nos fóruns e plenárias de unidade de ação e luta: criar uma forma de poder popular embrionário sob a atuação de um sindicalismo classista e sob as orientações de partidos classistas, anti-capitalistas e anti-imperialistas; e através do diálogo e do consenso com outros atores, construir um programa aglutinador para desenvolver um ainda maior poder popular, estruturado neste programa comum; construir a greve geral, trabalhar a construção do bloco histórico, para poder visualizar no enfraquecimento do poder burguês e na tomada de consciência da classe trabalhadora, a alternativa de um novo poder no horizonte da revolução. A criação do poder popular nos locais de trabalho, nos locais de moradia, e nas ruas se fará de forma simples e pelo acúmulo, pelo trabalho de base, pelas conexões entre as forças cujo programa tenha este fim. Por isso é importante gastar mais tempo nestas conexões de luta, gastar tempo como se gasta no trabalho de base sindical / popular.

A alternativa de participação nas plenárias e fóruns de ação e luta entende que a criação do poder popular per se, não se fará apenas por um partido, central, ou sob uma única bandeira hoje existentes, mas que nós comunistas teremos um papel importante neste processo. Que todo o processo de formação de plenárias e fóruns de ação e luta pode contribuir para a criação de poder popular não meramente local, mas criador de poder político. A construção da greve geral, e o construir um horizonte revolucionário, se fazem mais fortalecidos desta forma, horizontalizadas, discutindo junto com outras forças de baixo para cima; através do acúmulo, dialogando e consensuando com estas forças políticas o nosso papel como comunistas na vanguarda em direção ao horizonte revolucionário. O poder popular em construção vai alem do espaço local, e como poder político de construção histórica é um poder de conexão entre diversos espaços locais em luta. 

O espaço privilegiado e prioritário de construção do poder popular, da greve geral e do bloco histórico pode acontecer como espaços de unidade na luta e ação; seja na comunidade, nos Estados, ou no Brasil, mas mais do que o poder popular gestado nas lutas locais porque existe um objetivo político que vai de encontro a própria manutenção do Estado burguês e do sistema capitalista existente. A América Latina pode se tornar um continente efetivamente progressista pela base se acompanharmos este processo. E nós comunistas, através das plenárias e fóruns de unidade de ação e luta, nos agregaremos aos seus elementos instáveis combinados no espaço do encontro, caminharemos do local onde nos encontramos hoje para a luta profunda da América Latina com o olhar global de superação do sistema capitalista. Ainda que hoje nos faltem braços e militantes camaradas, faremos mais daquilo que já sabemos fazer, as nossas dezenas de quadros precisam ser centenas, nossos quadros operativos de centenas ou milhares, precisarão ser dezenas e centenas de milhares, e a nossa base precisa saltar de milhares para milhões de simpatizantes. Faremos não apenas para o trabalho de base sindical / popular, ou das nossas frentes, ou do nosso partido, mas teremos que investir pesado nas conexões com outras forças sindicais / populares e anti-imperialistas e anti-capitalistas, teremos que investir pesado em novas conexões políticas de luta. Avançaremos não de forma aritmética, mas em progressão geométrica na medida em que avançamos com qualidade, e se nossos números forem números de uma grande aliança forjada no objetivo imediato do nosso próprio trabalho de base e expansão, no objetivo mediato da unidade de ação na luta, e que tenha por objetivo final a construção de uma unidade sólida e programática que vai alem da ação e luta.   

O preenchimento dos espaços com a nossa militância, o bom uso da nossa vanguarda, naturalmente se dão pelo necessário trabalho de base, da expansão sindical, do fortalecimento do sindicalismo classista e trabalho popular em geral, que juntamente com outros atores e movimentos classistas formarão o bloco sindical/ popular; e da preocupação com a construção dos partidos e forças políticas anti-capitalistas e anti-imperialistas que farão parte do bloco histórico, e do ascenso revolucionário. Ressaltamos a alternativa pela participação e construção das plenárias e fóruns de unidade de ação em direção a construção do poder popular. A participação nestas plenárias e fóruns aumenta a experiência da nossa própria militância para o seu próprio trabalho de base, a conexão com forcas heterogêneas e o nosso esforço de expansão sindical / popular pode retornar para a unidade.

Vivemos um momento auspicioso para a construção de alianças classistas para além do trabalho de base, da disputa e expansão sindical, e este é o momento de construção da ação prática e combinada da luta de classes. O conceito de plenária e fórum de unidade de ação para a luta traz também em si a noção de urgência, nas suas demandas devidamente priorizadas, para usar agora naquilo que a luta traz hoje ou amanhã, ou em uma semana, ou em um ano. Estes fóruns e plenárias operam diretamente contra as forças burguesas e capitalistas locais, as grandes corporações, o imperialismo, o próprio capitalismo; onde os seus lacaios locais e globais precisam ser trazidos para o solo para serem mais bem derrotados, o exercício e o acúmulo destas lutas locais também servirão para engrossar nossa base de unidade de ação. Nelas e em meio à luta prática, se faz possível uma luta com menos concessões ideológicas dos trabalhadores, se feita por camaradas com passo firme em direção ao horizonte da construção do poder popular para a transição socialista, cientes do seu papel de vanguarda no meio da luta sindical / popular.

Vivemos historicamente um termômetro de luta local casado com o planejamento de um evento social de grande porte e também de impacto mundial: a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016. Nós temos a oportunidade de experimentar toda forma de unidade de ação na luta, para casar este “momentum” do combate local com um ataque ao próprio capitalismo mundial através da mobilização para um evento social global, recuperando os levantes de 2013, e de 2014, que poderiam desta vez, sob a direção das plenárias e fóruns de unidade de ação e luta; eivados de um sindicalismo classista, de movimentos e de partidos cujos programas estão firmes na opção pela classe operária e da classe trabalhadora. Sob esta direção faríamos até a recuperação da importância de um símbolo tão execrado pela mídia e os que defendem manifestações ouço politizadas e sem partido. Sim, recuperar a importância da bandeira vermelha, resgatando-a das mãos deste governo, e construindo uma consciência nos locais de trabalho e nas ruas com aquilo que sai fortalecido pelas plenárias e fóruns com poder popular e certamente desta vez “com partido”.

Existe toda uma dificuldade, mas também oportunidade na base das plenárias de unidade de ação e luta, lá estão espaços de construção de diálogo e consenso entre diferentes forças políticas de esquerda. Este é um espaço que pode albergar formações policlassistas, permeados por lutas gerais que apresentam corte classista em seu interior; e se trabalhados corretamente, tem potencial classista, e unificador da classe trabalhadora. Nestes espaços, o papel dos sindicatos guarda chuva e de referencia na gestação dos fóruns e plenárias de unidade de ação e luta vai muito além de ser mero espaço para ser ocupado; ele é muito mais importante, porque possui a capacidade política aglutinadora de juntar partidos, sindicatos e movimentos sociais que não se reuniriam em outro lugar. Os sindicatos que se propõem a serem referência ou guarda-chuva para a sociedade local o são neste caso, porque fazem mais do que a luta imediata dos trabalhadores, reconhecidamente fazem também a luta histórica. Outros sindicatos e movimentos precisam atuar nestes fóruns e plenárias com metas e objetivos complementares ao trabalho dos partidos de esquerda, e assim o fazem, para mapear e integrar-se com as forcas organizativas e mobilizadoras do trabalho. As entidades, movimentos, sindicatos e principalmente os partidos, cujo programa está na construção do partido revolucionário, precisam estar presentes nestes espaços para que a transversalidade das pautas específicas esteja dentro da luta pela superação do capitalismo. A união de partidos, sindicatos e movimentos sob um teto referência e guarda-chuva de caráter unificador de esquerda, que sirva para agir localmente e regionalmente, para a luta imediata, mas que pode também unificar demandas; demandas históricas e imediatas se traduzem, podem agir, portanto, na formação destas plenárias e fóruns. Nestes espaços de ação política é que a luta de classes e a centralidade do trabalho precisam se sobrepor ás demandas locais e transversais das lutas por frente.

A plenárias e os fóruns que constroem poder popular unificam atores diversos com pautas e agendas diferentes no firme objetivo de encontrar a demanda agregadora que faz com que todos lutem em torno dela. Evidentemente que assim como nada substitui o papel do partido na revolução, o papel dos sindicatos de luta e de referência para a sociedade não substitui os partidos na organização dos fóruns, plenárias e ações de unidade na luta; mas tem um papel privilegiado na albergagem, sustentação e agregação de forças heterogêneas de esquerda: partidos, movimentos e outros sindicatos para avançar na permanente construção do bloco histórico rumo à greve geral e além. Forças que não viriam até uma reunião marcadamente de um partido ou de outro vão a uma reunião em um espaço referência que movimentos, sindicatos, partidos não tem estrutura para albergar, estruturar, construir profunda unidade ou financiar lutas gerais. Daí a importância da presença dos partidos com seus programas unificadores da luta de classes liderarem nossas ações; e quando o centro da luta for o trabalho, corporativo ou classista, também estarem presentes os sindicatos classistas que por suas bases ou lideranças possam fazer o mesmo; inclusive girando militância para além do trabalho de base e da expansão sindical, para alem da demanda sindical na direção da demanda classista, quando em grandes plenárias e lutas práticas. Todo partido, movimentos ou sindicatos comprometidos com a luta de classes e a construção do socialismo, e nós comunistas precisamos “estar em todas as estâncias organizativas das plenárias e fóruns de ação e luta, elencar as lutas existentes, e as que estão em estado potencial, avaliar seu corte de classe, o seu potencial de crescimento e de atração de segmentos da classe trabalhadora e as possibilidades de ação, buscando sempre construir uma intervenção que extrapole os limites da especificidade das pautas. Nas diversas frentes de massa que atua, o nosso partido deve buscar constituir, sempre que possível, o campo de alianças correspondente a frente anti-capitalista e anti-imperialista, ou seja, de uma frente política de caráter permanente, combativa e socialista”. 

Existem sindicatos estratégicos neste caminho. Os sindicatos de manufatura, transportes e energia (produção e circulação) são sindicatos prioritários para se tornarem sindicatos de referência e guarda-chuva, assim como são sindicatos preferenciais para um sindicalismo classista na construção de plenárias e fóruns, que pela sua prioridade para o trabalho de base e expansão sindical, também devem se preocupar pela sua junção em uma frente anti-capitalista, e anti-imperialista.

Nós comunistas temos plena condição de disputar a linguagem, e a teoria por trás da ação que cada um destes fóruns e plenárias possui. E a linguagem que iremos trabalhar tem como ponto de partida, tanto os marcos teóricos da experiência comunista e das lutas dos trabalhadores no Brasil, de sindicatos e principalmente partidos ao longo de décadas de luta, que passa pela porta complementar do nosso trabalho obreiro, sindical e classista através do sindicalismo historicamente classista; que estando presente, precisa se dirigir até a construção da luta prática junto com outros atores e forças políticas. Esta linguagem dialógica e consensual dos fóruns serve para o simples trabalho de base, como também para a formação da nossa própria vanguarda. Uma linguagem massificada para atingir as ruas e permanentemente tecnológica para invadir a nuvem da internet e conectar a luta local com o mundo, contribuindo para levar a mensagem do nosso partido construindo poder popular, e para receber de volta uma linguagem nossa mais horizontalizada na ação e na luta. Uma linguagem para os insurgentes locais e globais que traz a linguagem do manifesto comunista para a atualidade da unidade da luta agora, a unidade do nosso programa combinados com um programa conjunto na demanda que se pode ver e lutar por, fazendo a combinação da demanda histórica e imediata. Ouvir a demanda das ruas, dos locais de moradia e principalmente dos locais de trabalho, invertendo a lógica dos autônomos que priorizam as ruas em detrimento aos locais de trabalho. Cientes da centralidade do trabalho, trabalhar para fazer a tragédia humana local se comunicar com a tragédia humana no mundo, como quem conecta a luta de emancipação local com a luta de emancipação do mundo, contribui na construção do socialismo local e global. Neste aspecto, a linguagem do partido, do sindicalismo classista, do movimentos e dos fóruns e plenárias de unidade na luta se complementam.
A unidade de ação e luta precisa ser permanente, mesmo que não seja grande, e deve fazer também a discussão programática da transição para socialismo, naturalmente como se faz o confronto com o atual Estado burguês e a construção da consciência da classe trabalhadora e principalmente operária com a preocupação do permanente esforço de construção do bloco histórico, através desta modalidade de poder popular e da construção da greve geral.


Uma agenda permanente de resistência precisa ser proposta de baixo para cima, com a consciência de superação deste poder por outro poder, poder popular e priorizado no exercício da auto-gestão, na ocupação das ruas e dos espaços públicos; na construção da greve geral, greves menores e por setor precisam ser feitas. 

Finalmente, entre uma plenária e outra, entre uma ação e outra, é preciso dialogar e consensuar a demanda, fazer novo debate e nova priorização, avaliar e reavaliar o que fazer. Ambas as forças universalizantes que são os partidos, como também as forças corporativas nos sindicatos classistas e movimentos transversais, dentre outras; não podem fazer estas coisas sozinhas, nós comunistas nas condições objetivas postas não podemos fazer isso sozinhos, os fóruns e as plenárias são esse espaço de construção geral alternativo para além do trabalho de base corporativo, que age no esforço universalizante da construção do bloco histórico. Sem deixar de fazer o trabalho de base, de disputar sindicatos, de trabalhar no fortalecimento, na organização e na expansão das frentes, e sem substituir o partido na estratégia revolucionária, precisamos ter um trabalho presente nos fóruns, plenárias de unidade de ação, e nas ações práticas decorrentes deste esforço consensual mobilizatório. Sendo assim, apesar da dificuldade de unificação da esquerda, os fóruns e plenárias de unidade na luta e ação, são um processo dialógico de contribuição, para juntar e aglutinar diferentes atores forças políticas na ação consensual, e criar um poder popular ainda maior do que faríamos sozinhos; e o bloco histórico, a greve geral, e a revolução socialista se constituirão através do partido revolucionário. O fórum classista de unidade de ação e luta está entre o trabalho de base e a criação do bloco histórico permeando o esforço de criação do poder popular e a greve geral. Portando além do nosso trabalho de base corporativo, e do trabalho de expansão do nosso partido, precisamos produzir vanguardas suficientes, e ajudar a organizar plenárias e um fórum por Estado, a partir de um sindicato de luta, de referência e guarda-chuva; elencar demandas locais priorizadas, e abraçar uma demanda nacional unificadora, levar esta demanda para a sociedade nas ruas, nos locais de trabalho e de moradia, e colocar pressão nas autoridades burguesas a partir das demandas geradas pela base, e das demandas unificadoras nacionais.


Cada demanda nascida da base, cada demanda coletivizada que se consegue por em curso de luta é um pequeno exercício revolucionário e criadouro de poder popular, e cada acúmulo micro-macro revolucionário soma para construir o bloco histórico e a revolução socialista que queremos construir. Cada greve classista, por menor que seja também soma para a produção da greve geral. Unir na plenária de diálogo e consenso de trabalhadores os blocos de uma mesma revolução, através dos embriões de unidade na luta e ação revolucionária, sem deixar de fazer nosso trabalho de base, de fazer nossa expansão sindical, e de nos reorganizarmos como partido revolucionário é nossa tarefa. Nosso trabalho é o paciente fogo nos ossos do homem revolucionário, existe muito trabalho, portanto nos preocupemos mais com as sementes de revolução do que de reforma. Em cada plenária existe um caminho novo de novas possibilidades, e uma nova vanguarda, em cada plenária e fórum uma possível insurgência local, em cada insurgência um amanhã, a possibilidade de construção de poder popular, da greve geral, de blocos sindical/popular e anti-capitalista e anti-imperialista, ambos de frente para sua expressão mais local, e além disso, de construirmos o bloco histórico e um partido revolucionário. Mas é necessário juntar esforços e trazer o capitalismo para o solo, no terreno específico onde ele será combatido localmente e derrotado globalmente.

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