quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O legado maldito de Eduardo Campos.


Pernambuco está cheio de placas, propaganda na TV, rádio e jornais em homenagem ao fal
ecido Eduardo Campos. O político é mostrado como alguém que trouxe ideias novas, modernas, que democratizou a gestão pública e deixou um legado invejável que deve ser seguido por seus vassalos. Na realidade, como já trarei em vários textos, Campos foi uma espécie de neocoronel: um sujeito que manteve todas as práticas políticas mais horríveis da história de Pernambuco, mas através de muita propaganda (paga em sua maioria com dinheiro público) construiu uma imagem falsa e distorcida do seu governo.


Campos adotou um modelo de desenvolvimento baseado na privatização do orçamento público como forma de "atrair investimentos". Trouxe empresas para o estado que ganham isenção fiscal (ou seja, não pagam vários impostos por décadas), o terreno, as obras de infraestrutura para instalasse, licença para poluir e "parceria" com o governo onde o estado custeava a "formação profissional" dos trabalhadores das empresas. O resultado é que Pernambuco crescia numa média acima do Brasil, mas o orçamento do estado encolhia e Campos deixou uma dívida de 8 bilhões. A gestão da saúde privatizada através de OS, a educação foi posta sobre um modelo gerencialista preocupado com metas estatísticas, mas desprezando a qualidade, a Universidade Estadual (UPE) em pleno processo de destruição. 

O relacionamento com os movimentos sociais seguiu a fórmula clássica: cooptação para o aparelho do estado e MUITA REPRESSÃO aos descontentes. Se comparado com os governos anteriores, o de Eduardo Campos foi tão ou mais repressivo. Essa lógica repressiva e antidemocrática fica explícita no plano de segurança do seu governo, o Pacto Pela Vida. Polícias ganham bônus por números de presos estimulando uma lógica de superencarceramento. Resultado: a população carcerária de Pernambuco triplica de tamanho em 8 anos (a crise do sistema carcerário é consequência direta disso). Ainda na gestão pública, Campos mostrou-se especialista em colocar parentes nos mais diversos cargos possíveis. 

Em resumo: Eduardo Campos deixou um estado endividado, com um modelo de transporte falido, com níveis recordes de destruição ambiental, lotado de parentes sem concurso em cargos públicos, com o sistema prisional caótico, com a educação fundamentada num modelo tecnocrático que não trouxe qualquer melhora real (apenas em estatísticas viciadas), a privatização da saúda bem avançada, processos de "consulta popular" que nunca se transformaram em políticas públicas e marcado por uma postura abertamente autoritária aos movimentos sociais. Não existe qualquer legado positivo significativo no governo de Eduardo Campos; o neocoronel, contudo, prova que muita propaganda agenciada por bons marqueteiros faz milagres. 

Alguns textos sobre o "legado" de Campos:

http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/03/ocurioso-caso-de-eduardopolis-e-o-uso.htmlhttp://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/03/privatizaro-orcamento-publico-e.html
http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2014/12/o-legado-politico-administrativo-de.html
http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2014/12/olegado-politico-administrativo-de.html
http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2014/12/olegado-politico-administrativo-de_21.html

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