quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O protesto do dia 20, o Governo Federal e a esquerda: a necessidade do reinício.



Depois do protesto das camadas médias conservadoras, teremos o protesto do dia 20, convocado por movimentos sociais, sindicatos e alguns partidos políticos. Esse protesto segue a tônica dos outros (como o do dia 14 de março): um protesto hegemonizado por organizações governistas - CUT, PT, UJS, MST, etc. - que dizem criticar o governo e algumas de suas medidas, mas não cogitam de forma alguma tomar esse governo como um inimigo a ser derrotado ou romper com ele. O MTST é a única grande organização de massa que imprime uma tônica não governista aos atos, mas a força dessa organização não é uniforme no Brasil. O movimento é bem mais forte no Sudeste que no Nordeste, por exemplo. Então, é preciso dizer sem medo, os atos do dia 20 serão de um ponto de vista nacional, governistas, mas em alguns estados (por causa do peso do MTST principalmente) bem mais combativos e efetivamente contra o ajuste fiscal antipopular. 

Em vários estados, como Fortaleza, o ato do dia 20 rachou. Os governistas - como sempre - estão deixando claro que o ato é uma defesa do governo e não uma luta contra o ajuste fiscal antipopular. Frisa-se que querer lutar contra o ajuste ao lado de PT, UJS, CUT, etc. já é contraditório. O PT aprovou em seu Congresso Nacional (instância máxima do partido) o apoio ao ajuste, a UJS (e PCdoB) apoia de todas as formas na prática a política neoliberal e é um instrumento de redução da combatividade do movimento estudantil, a CUT apoia a PPP que reduz salários e mantém o lucro dos monopólios (parte fundamental do ajuste) e assim sucessivamente. Até a direção do MST, que às vezes procura demonstrar uma postura mais crítica frente ao governo, não cogita a possibilidade de romper com o governo que faz a PIOR POLÍTICA AGRÁRIA em 30 anos e que mais FORTALECEU o LATIFÚNDIO em nossa história republicana (embora várias bases do MST estejam cada vez mais afastadas do governo). 

Esses segmentos da "esquerda" falam em "plano Levy", "ajuste Levy", etc. Sua "luta" contra o ajuste é tão pouco séria que recusassem a dizer quem aplica o ajuste e em prol de que interesses. Já que esses segmentos não colocam a possibilidade de romper com o Governo Federal do PT, não importa o quão de direita o governo seja, ele sempre terá uma base (ainda que tendencialmente reduzindo-se) em sua espera no momento eleitoral. Logo, é preciso encarar com muita serenidade o momento político e o cenário posto: não existe luta política junto com a "esquerda governista" contra o ajuste fiscal antipopular e toda política de direita de Dilma. É lógico, porém, que enfrentamos uma tragédia em ter a MAIORIA da classe trabalhadora organizada sendo dirigida por um partido burguês que defende uma política de direita, mas isso é resultado de um processo de anos (mais ou menos 30) e não é indo no protesto do dia 20 que isso será mudado (e não unir-se com a CUT e PT não significa deixar de disputar essa base). 

Para a esquerda conseguir ir à ofensiva, teremos um longo processo de reorganização, e, uma necessária ruptura com a hegemonia do PT e do programa Democrático-Popular. Quanto mais demorarmos em iniciar essa ruptura e reorganização mais fracos ficamos e mais direitos e conquistas históricas perderemos. Alguns chamam de sectários as organizações que não vão ao ato do dia 20 - PCB, PSTU, Intersindical, MRT, etc. -, mas essas mesmas pessoas nós chamavam de sectários e isolacionistas quando não votamos em Dilma no segundo turno (enquanto eles acreditavam em "guinada à esquerda" do Governo do PT) e quando defendemos que o referendo puxado pelo Syriza não passava de uma estratégia para legitimar a austeridade (hoje, não à toa, esses que chamaram de sectário e isolacionista quem não nutriu ilusões com o Syriza não falam mais no assunto). Bem, infelizmente, defender uma consequente posição proletária, não ser uma ala à "esquerda" do projeto burguês, não é tão popular nos dias de hoje. Seremos sim chamados de sectários e isolacionistas. Mas oxalá que na história existiram os "sectários" e “isolacionistas” como Lênin e Rosa Luxemburgo que se recusaram a aderir à carnificina da Primeira Guerra Mundial e trair a revolução proletária, romperam com a socialdemocracia (ficaram "isolados") e fizeram História. Temos que iniciar essa reorganização da esquerda e finalmente voltarmos a fazer História!

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