segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Retrospectiva da marcha fúnebre de 2015: o direito ao trabalho e o tiro na cabeça



Esse rapaz na foto é Carlos Augusto Braga, trabalhador ambulante, morto aos 30 anos e pai de 4 filhos. Carlos foi assassinado pela polícia militar enquanto os policias realizavam uma operação de criminalização do comércio ambulante em São Paulo. Seu assassinato, com um tiro na cabeça, foi filmado e circulou na internet. Graças às imagens a versão da polícia militar pôde ser desmentida, a corporação alegava que o tiro foi "acidental" e que o policial que atirou teria sido "ferido" e parte do seu colete "arrancado". 


O assassinato de Carlos é a expressão de uma política urbana higienista e criminalizante que persegue os excluídos do mercado de trabalho formal e procura "limpar" determinados territórios para valorização imobiliária e especulativa, combater a concorrência às lojas formais e/ou simplesmente retirar pessoas das "classes perigosas" de circulação. Carlos era um típico "pai de família" que sustentavam sua esposa e seus quatro filhos com o suor do seu trabalho. Durante o velório, Claudiane, esposa de Carlos, disse que "“ as crianças ainda perguntam quando o pai vai voltar ““. Carlos nunca voltará e uma família pobre ficou em situação ainda mais difícil. 

O policial que matou Carlos foi indiciado por homicídio culposo, isto é, quando não há intenção de matar. O policial não puxou o gatilho sozinho. Foi treinado para combater o "inimigo interno", os monopólios de mídia legitimam socialmente a violência policial, o sistema judiciário é responsável por sancionar os "autos de resistência" e as mortes "acidentais" diárias como parte da "normalidade democrática" e os governos - municipal, estadual e federal - operam, mantêm e legitimam essa máquina de matar as classes exploradas. 

A operação anti-comércio ambulante que terminou na morte de Carlos foi organizada pela prefeitura de São Paulo de Fernando Haddad. Na época o "prefeito gato" disse que foi um "caso isolado" e que temos que esperar a apuração para saber "o que deve fato aconteceu". A memória da “opinião pública” é criada pelos monopólios de mídia e eles nunca mais falaram desse caso e Haddad nunca dirá nada sobre o que "de fato aconteceu". 

Carlos queria apenas trabalho e uma vida digna. Morreu com um tiro na cabeça. Seus filhos vão viver com a dor de crescer sem o pai. É a história de mais uma vítima do genocídio operado pelo Estado burguês no Brasil.

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