domingo, 20 de dezembro de 2015

Saída de Levy e recomposição do Bloco no Poder


Joaquim Levy saiu do Ministério da Fazenda. Nelson Barbosa, Ministro do Planejamento, agora assume a pasta. O direcionamento político dessa mudança parece mais ou menos evidente. O primeiro ponto é fugir da lenda de que a política econômica era ditada por Levy (o famoso grito do "Fora Levy"). A política econômica é do governo e os ministros "apenas" operacionalizam e representam dentro do aparelho do Estado às diferentes frações do capital - é de conhecimento geral que Levy é um representante orgânico da fração bancária do capital. 

Pois bem, me parece que o Governo manterá o ajuste fiscal como prioridade realizando a política que interessa ao capital financeiro internacional e a fração bancária do capital - os setores dominantes do bloco no poder, isto é, do conjunto de classes e frações dominantes -, mas procurará um ajuste um pouco mais flexível e mais "brando" para as outras frações do capital - não para os trabalhadores e movimentos sociais. 

O apoio da FIESP ao impedimento deve ter aberto o sinal vermelho no governo. Se as outras entidades da burguesia "industrial" interna, como a CNI e ABIMAQ, passassem a apoiar o impedimento, a situação do PT ficaria bastante complicada (ABIMAQ, FIESP e CNI vinham realizando críticas muito duras ao ex-ministro). Além disso, nesse momento do impedimento é necessário mobilizar a base social governista e nada melhor para isso que a saída de Joaquim Levy - através de muita propaganda é possível mostrar essa medida como de "esquerda". O Governo tentará em 2016, ao que parece, manter todos os interesses da fração rentista dominante, mas contemplar com mais atenção os interesses da fração "industrial" da grande burguesia - através de mais créditos, isenções fiscais, privatizações, etc. O grande dilema é saber se teremos um quadro econômico que possibilite um equilíbrio estável das diferentes frações da classe dominante e como a classe trabalhadora irá reagir a continuidade – ainda que possivelmente menos radical – do ajuste antipopular. 

Quanto a achar que a saída de Levy e a entrada de Barbosa representa um direcionamento para uma política econômica "popular", esse delírio só se sustenta na lenda de que a política econômica é ditada pelo Ministro e não pelo Governo. O ajuste nunca foi de Levy, mas sim de Dilma!  

""Afinal, dizer que apoia a Dilma, mas é contra o Levy equivale a dizer que gosta dos Rolling Stones, mas não do Mick Jagger"" - Mauro Iasi

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