terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Jean Wyllys, Israel e antissemitismo.

Texto escrito por Carlos Henrique Siqueira e publicado na página do Deputado Wyllys no Facebook. 

Crianças palestinas assassinadas pelo Estado de Israel
Prezado Jean, me desculpe, mas você está no Estado mais militarizado do mundo, com uma das sociedades mais abertamente racistas do mundo, que vive numa situação de Apartheird com a completa segregação dos cidadãos israelenses de origem árabe. É o Estado com maior número de condenações por crimes contra os direitos humanos pela ONU, é promotor de um genocidio em andamento. Gaza é um grande campo de concentração. Israel é basicamente a África do Sul da nossa geração. E você me falar de usar a Palestina como argumento para não discutir o antisemitismo?

Toda a literatura crítica de Israel, de Noam Chomsky a Judith Butler, passando por Dr Norman Finkelstein, Allen Papa, Shlomo Sand, Gideon Levy, Uri Avnery, Edward Said e outros todos dizem justamente o oposto. Israel usa sua força política, e seus recursos financeiros para fazer com que a agenda do antisemitismo e o próprio Holocausto sufoque o debate sobre os crimes contra a humanidade, a política de Apartheid, e o genocídio contra os palestinos.

Há décadas existem fundações judaicas, devidamente financiadas por recursos privados e públicos, por toda a Europa e EUA com a exclusiva missão de promover a agenda do debate sobre anti-semitismo, não sobre a Palestina. O departamento de comunicação de israel, com bilhões de dólares de orçamento promove a mesma a agenda, paga agencias e empresas de comunicação para promover visões positivas sobre Israel, e intervir nos debates com viés negativo. Portanto, acho que a discussão sobre o antisemitismo nunca foi e nunca será ameadaça pela questão palestina.

Por favor, ninguém conhece tudo, ninguém está a par de todas as discussões o tempo todo. Evidentemente você não está a par do debate sobre a política de auto-representação promovida por Israel. Mas não custa escutar e aprender.

Ir a Israel para falar sobre antisemitismo enquando eles mantém um campo de concentração ao lado, e sem tocar na questão palestina, sem ter a coragem de falar a verdade ao poder, é um ato de covardia. Se você está indo a Israel para discutir exclusivamente antisemitismo, você está sendo incorporado a máquina de relações públicas de Israel.

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