quarta-feira, 16 de março de 2016

Diálogo com o proibicionista.

Acho engraçado o discurso do militante de esquerda proibicionista. Você argumenta que a descriminalização das drogas – como primeiro passo a maconha – é importante porque a ideologia da “guerra às drogas” é a principal base de legitimação da violência do Estado burguês na América Latina e nos EUA há pelo menos trinta anos (nos EUA, contudo, a "guerra ao terror" ganha mais espaço desde o 11 de setembro)


Aí ele diz que a pauta serve apenas para menino de classe média fumar maconha em paz. Nesse momento você cita números e milhares de exemplos de como a “guerra às drogas” é uma importante arma de legitimação ideológica da violência contra as classes trabalhadoras. Cita, inclusive, como essa ideologia é usada como justificativa para operações imperialistas, como a instalação de bases militares dos EUA na Colômbia.


Nessa hora o nosso proibicionista diz “com ou sem as drogas legalizadas o Estado burguês vai continuar sendo repressivo e controlador com as classes exploradas”. O proibicionista esquece que a descriminalização das drogas não faz com que o Estado burguês deixe de ser burguês, e esquece que a dominação política sempre se reveste de formas materiais e ideológicas concretas e historicamente determinadas, ou seja, nesse atual momento histórico, a “guerra às drogas”, é componente essencial de legitimação ideológica do Estado burguês e destruir essa ideologia é uma luta tática – ou uma mediação tática – no objetivo estratégico: destruir o Estado burguês.


Contudo, nosso militante proibicionista diz “se destruir essa ideologia o estado burguês arruma outra”. O proibicionista substitui a história pelo seu pensamento; ele esquece que todas as vezes que o Estado burguês teve que operar transformações radicais nos seus mecanismos de legitimação ideológica esse processo foi bastante complicado e arriscado para as classes dominantes – nos processos de mudança das ditaduras militares às democracias burguesas na América Latina, por exemplo, em vários países, como Equador e Brasil, por pouco as classes dominantes não sofreram com a combinação de movimento de massas em ascensão, presidência de esquerda e crise da ideologia dominante.



Nosso militante proibicionista ignora todas as dificuldades de se estabelecer um novo padrão de dominação ideológica. Sua mente pensa assim: abaixo qualquer mediação tática – desmilitarizar a PM, ampliar os mecanismos de democracia direta, aumentar o controle sobre a execução orçamentária, etc. -, vamos ao programa máximo; mas, infelizmente, o programa máximo não está em questão na realidade histórico-concreta. Nesse momento nosso militante proibicionista fuma maconha com seus amigos e chama de pequeno-burguês quem milita na pauta – enquanto ele fuma maconha, os EUA junto com o governo colombiano continuam combatendo a FARC usando como legitimação ideológica o discurso da “guerra às drogas” e do combate ao terror, mais uma UPP é criada no Rio de Janeiro para combater o “tráfico” e mais uma base militar dos EUA é criada no Paraguai para destruir o “narcotráfico”.

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