domingo, 29 de maio de 2016

Análise dos áudios de Romero Jucá

O áudio vazado da conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado traz uma série de elementos muito interessantes para compreender a conjuntura política do país:

Romero Jucá
- A "classe política" enquanto grupo está com medo, acuada, sofrendo o perigo da extinção. Jucá chega a afirmar que nenhum político tradicional ganha à eleição [presidencial] agora. O que demonstra que a tese do professor Ricardo Musse está correta - em poucas palavras o professor defende que existe uma ruptura relativa entre a "elite política" e a burguesia que ela representa porque essa "elite" tem como principal preocupação agora preservar sua sobrevivência.

- Romero Jucá afirma está conversando com generais e que eles garantiram [o processo de impedimento] e que o MST e "tudo mais" estão sendo monitorados. O combate ao "inimigo interno" nunca sumiu da estrutura do Estado brasileiro. Agora é apenas menos visível. Nesse mesmo trecho Jucá também fala em apoio do STF. Então temos uma aliança entre setores do STF, Governo golpista e generais das Forças Armadas - algo mais que preocupante.

- A conversa também demonstra o aparelho judiciário, com exceção do STF, como um sujeito político autônomo à "elite política" no poder. Resta saber como o judiciário tornou-se tão "forte" e quem coordena essa ofensiva - se existe coordenação.

- Contudo, o mais interessante mesmo, é que Jucá diz que o impedimento vai significar o fim da Lava-Jato e a proteção de todo mundo... inclusive o Lula. A "elite política" em última instância é unida no seu interesse fundamental: manter a sobrevivência de casta. O PSDB e Renan Calheiros, durante a conversa, são criticados por não terem entendido ainda a gravidade da situação e continuarem com brigas desnecessárias.

- E por último e não menos importante: mais uma vez é explicitada toda relação de corrupção orgânica entre os grandes grupos econômicos e a "elite política". O "sequestro da representação" é algo evidente. Esses sujeitos atuam em seus interesses próprios e das empresas que os elegeram, e o eleitor, o cidadão, é uma ficção jurídica que só existe no momento eleitoral mesmo.

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