terça-feira, 28 de junho de 2016

Hollywood pelo pincel soviético

Para além das tentativas de supressão física das forças populares historicamente promovidas pelo capital, não menos duras e ardilosas são suas investidas contra o movimento comunista pelo campo simbólico. Com o propósito de desacreditar o marxismo e, consequentemente, desarticular os comunistas, as classes dominantes se valeram de todas as formas de calúnias, ilações e falsificações históricas propagandeadas às massas via senso comum.
poster iugoslavo de 007 


Assim, a idealização de qualquer alternativa popular ao modo de produção capitalista deve ser pintada, no modus operandi da ideologia burguesa, não só como utópica, mas também como intrinsecamente negativa. O direito à rebelião proletária precisa ser ludibriado porque, segundo as classes dominantes, levaria o trabalhador, em sua própria “inconseqüência”, a uma vida ainda mais bárbara. Afinal, como afirmam as fabulações burguesas, as sociedades socialistas são “totalitárias”, “cinzentas”, “frias” e “infelizes”. A URSS era o “Império do Mal”. As repúblicas do Leste Europeu compuseram a famigerada “Cortina de Ferro”. Cuba, até hoje, não passa de uma “prisão flutuante”. O campo semântico da propaganda do capital é bem amplo.

Porém, a realidade, na maior parte dos casos, não cabe nos reducionismos e simplificações narrativas das classes dominantes. Como, dizia Marx, a aparência das coisas não reflete a essência das mesmas, me engajei em investigar um pouco do histórico das experiências socialistas a fim de separar acontecimentos concretos das peças publicitárias de quinta categoria irradiadas pelo imperialismo. Mais do que isso, quis me debruçar, em especial, em averiguar como funcionava, dentro do “socialismo real”, a única das artes que surgiu quando o modo de produção dominante no mundo já era o capitalismo: o cinema. Como estudioso da área da Comunicação, tenho um apreço especial por entender não só o fenômeno da indústria cultural em si, como a diversidade de efeitos de suas produções na sociedade.

Então, bate a curiosidade de pesquisador: será que os filmes da grande indústria cinematográfica norte-americana eram reproduzidos nos antigos países socialistas? A censura às produções culturais estrangeiras em geral era, de fato, implacável e irredutível, como afirma a propaganda burguesa? Depois de uma pesquisa, achei bem surpreendentes as respostas para as minhas indagações. Com um carinho especial pela estética socialista desde o construtivismo russo, faço questão de compartilhar o conjunto de pôsteres dos filmes estrangeiros, sendo a maioria norte-americanos, nas antigas repúblicas socialistas. Chamo a atenção não só para a confirmação do fato de que as produções cinematográficas ocidentais foram sim lançadas do outro lado do Muro de Berlim, mas também para a própria beleza do design dos cartazes. No melhor estilo vintage, chega a assustar descobrir pôsteres de “2001 – Uma odisseia no espaço”, “Indiana Jones”, “O Poderoso Chefão”, “Tubarão”, “Star Wars” e até “007 - O espião que me amava” e “Rambo” com os traços típicos da propaganda soviética. Os cartazes encontrados vêm da URSS, Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Iugoslávia, Alemanha Oriental e Cuba. Ao que parece, a tal terrível censura socialista contra a “cultura do Império” não passa de só outra mentira do próprio Império.

Texto de Gabriel Deslandes.

Link do arquivo com todos os pôsteres pesquisados: https://drive.google.com/folderview?id=0ByMjN_jNefKUX2NmbjlXUXRNNGc&usp=drive_web


Um comentário:

  1. Encantada com a estética dos posters. Muito obrigada pelo compartilhamento e pelas considerações.
    A dúvida, agora, é quais imprimir para colocar nas paredes de casa.

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