domingo, 2 de abril de 2017

Um Exército sem general, um povo sem armas: lições de 1964

Jango
1 de abril descomemoração do golpe empresarial-militar que pôs fim ao ciclo mais avançado, combativo e radical do movimento operário brasileiro, sepultou as “reformas de base” e o projeto nacional-reformista da esquerda e impediu uma geração brilhante de transformar a realidade brasileira. Até hoje é motivo de controvérsia historiográfica como um movimento operário tão forte foi tão facilmente derrotado e a resistência esperada – os EUA posicionaram sua marinha na costa brasileira porque esperam uma cruenta guerra civil – não aconteceu. Bem, sem me estender em debates historiográficos, estou na “turma” que compreende a fraca resistência ao golpe empresarial-militar como explicado, dentre outros motivos, pela “covardia” de Jango, a falta de liderança e preparação do PCB para o momento e a recusa de armar o povo por muitas lideranças locais. Vejamos:


A) Ao início do golpe Jango dispunham de uma quantidade estrategicamente significativa de regimentos constitucionalistas das Forças Armadas. Poderia, bastava ter dado a ordem, esmagar o golpe no seu primeiro dia, e partir para um enfrentamento militar com os setores golpistas das Forças Armadas. Muitos comandantes esperavam as ordens do Presidente e essas ordens nunca chegaram! O maior líder político do país abriu mão de liderar e deixou um exército sem general.


B) O PCB, o maior partido da classe operária, numa tática totalmente errada abriu mão da hegemonia no âmbito da frente nacionalista e deixou Jango e o PTB realizarem esse papel. Com a recusa da resistência de Jango, o PCB e Prestes (principal dirigente do partido) não assumiram o papel de organizador da resistência ao golpe. Um dos motivos que explica isso é o surpreendente despreparo do Partidão para um momento de ruptura institucional da burguesia. A fé na institucionalidade burguesa desarmou o Partido mais perseguido da história da América Latina.


C) Assim que estourou as notícias do golpe, em vários estados, os trabalhadores foram aos seus sindicatos pedir armas para defender o seu presidente, e no caso de Pernambuco, o seu governador: o senhor Miguel Arraes, ou “pai arraia” como os agricultores o chamavam. As armas, assim como as ordens de Jango, nunca chegaram. Gregório Bezerra falou que em 1964 “tínhamos o povo, mas não tínhamos as armas”.


Por que citar esse exemplo histórico nesse momento de lutas? Temos que aprender com a história. NUNCA se deve confiar a direção do movimento aos setores reformistas e vacilantes. Nos momentos capitais da história ou eles vão à direita ou fugiram da luta; também não podemos confiar em lideranças de massa que por mais avançadas que sejam são do campo burguês. Jango era um grande líder, mas, no momento de confronto entre o bloco proletário contra o bloco burguês, ele preferiu evitar o “derramamento de sangue”. Se erramos ao confiar demais em Jango, imagina em figuras medíocres sem metade do talento dele como as que estão hoje na praça! Por último, a fé na democracia burguesa e nas suas instituições só leva a erros, derrotas e equívocos de análise. Condicionar, por exemplo, as lutas de resistência ao [suposto] processo eleitoral de 2018 é uma imbecilidade sem tamanho e uma vitória da burguesia sobre o movimento dos trabalhadores.


Seguimos. Vamos avançar sem repetir os erros do passado!


2 comentários:

  1. PCB ao seguir a politica revisionista da URSS, não poderia ser revolucionário, tal qual o P.C.Cubano que dificultou as coisas para o Fidel.

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  2. O "partidão" (kkkk) continua totalmente despreparado, se tiver um golpe militar vão fazer o que? Um vídeo tutorial no YouTube? Kkkkkkk

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