quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Relatos de viagem: o contrabando de alimentos venezuelanos à Colômbia.


Resolvi* escrever esse pequeno texto com o objetivo de compartilhar algumas informações sobre a situação política e econômica da fronteira colombo-venezuelana (entre as cidades de Cúcuta e San Antonio del Táchira).
Hoje é o meu vigésimo segundo dia de intercâmbio na Colômbia e juntamente com os outros intercambistas resolvemos fazer compras de frutas e verduras num lugar chamado – Cenabastos (uma espécie de Ceasa no Brasil) - ou seja, um lugar com vários galpões que abrigam barracas de frutas, verduras, açougues e comida ( do tipo arroz, macarrão, bolacha, biscoitos, farinha de milho, etc.), e produtos de higiene pessoal e de limpeza (do tipo sabonete, creme dental, papel higiênico, desinfetante, desodorante, shampoo, etc.). Até aqui tudo bem.
Entretanto, antes de continuarmos é preciso contextualizar:
Cenabastos encontra-se localizada em Cúcuta, cidade colombiana que já foi palco de importantes fatos históricos, e que hoje é “bastante conhecida por seu comércio” e por sua fronteira com a Venezuela, isso mesmo, com a famigerada Venezuela!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Do referendo à renúncia: a estratégia dos gerentes da austeridade neocolonial


Tsipras e Obama. 
Alexis Tsipras decidiu renunciar e convocar novas eleições para setembro. Não é preciso forçar muito a memória para lembrar que poucos meses atrás existia uma histérica e acrítica campanha de adoração ao Syriza e Tsipras percorrendo o mundo. Slavoj Zizek, David Harvey e Giorgio Agamben estão entre os péssimos analistas políticos que nutriram todas as ilusões do mundo com o Syriza. No Brasil os blogs da Boitempo, Convergência e Junho (esses últimos dois trotskistas) e o Opera Mundi publicaram regularmente textos de vários intelectuais que embarcaram na onda das ilusões (para não falar das organizações políticas, como PSOL e PT, que tentaram se fortalecer usando o “capital político” do Syriza).

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O protesto do dia 20, o Governo Federal e a esquerda: a necessidade do reinício.



Depois do protesto das camadas médias conservadoras, teremos o protesto do dia 20, convocado por movimentos sociais, sindicatos e alguns partidos políticos. Esse protesto segue a tônica dos outros (como o do dia 14 de março): um protesto hegemonizado por organizações governistas - CUT, PT, UJS, MST, etc. - que dizem criticar o governo e algumas de suas medidas, mas não cogitam de forma alguma tomar esse governo como um inimigo a ser derrotado ou romper com ele. O MTST é a única grande organização de massa que imprime uma tônica não governista aos atos, mas a força dessa organização não é uniforme no Brasil. O movimento é bem mais forte no Sudeste que no Nordeste, por exemplo. Então, é preciso dizer sem medo, os atos do dia 20 serão de um ponto de vista nacional, governistas, mas em alguns estados (por causa do peso do MTST principalmente) bem mais combativos e efetivamente contra o ajuste fiscal antipopular. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Governo Dilma entre a crise do PMDBismo e o austericídio.


Henrique Oliveira*

O objetivo desse texto não é destrinchar todos os embates políticos ocorridos entre o PT e o PMDB, mas sim, fazer uma discussão como a aliança do PT com o PMDB, e o ajuste fiscal violento adotado por Dilma em seu segundo mandato, estão colocando em perigo o futuro político – eleitoral do Partido dos Trabalhadores, e aprofundando a crise social, política e institucional.

O legado maldito de Eduardo Campos.


Pernambuco está cheio de placas, propaganda na TV, rádio e jornais em homenagem ao fal
ecido Eduardo Campos. O político é mostrado como alguém que trouxe ideias novas, modernas, que democratizou a gestão pública e deixou um legado invejável que deve ser seguido por seus vassalos. Na realidade, como já trarei em vários textos, Campos foi uma espécie de neocoronel: um sujeito que manteve todas as práticas políticas mais horríveis da história de Pernambuco, mas através de muita propaganda (paga em sua maioria com dinheiro público) construiu uma imagem falsa e distorcida do seu governo.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Tragédia à brasileira: quando o eurocomunismo parece algo "radical".



Enrico Berlinguer, secretário geral do PCI
e teórico eurocomunista.
O eurocomunismo foi uma tendência institucionalista, anti-revolucionária e liberalizante do movimento comunista que apareceu com força nos maiores Partidos Comunistas da Europa Ocidental: PC da Itália (PCI), França (PCF) e Espanha (PCE). No geral, o eurocomunismo defendia que a democracia [burguesa] não precisava ser superada numa ruptura revolucionária. Bastava combinar democracia representativa com democracia direta (a chamada "democracia de massas" do Pietro Ingrao) para conseguirmos as condições necessárias da transição socialista. Como o Estado era ampliado (numa interpretação de direita de Antônio Gramsci) os comunistas fariam uma "guerra de posições" e progressivamente conquistariam espaços na "sociedade civil" e no estado (transformando seus aparelhos) até alcançar o socialismo. O PCI, nas várias prefeituras que tinha na Itália, aplicava medidas de ampliação da "participação popular" através do fortalecimento dos mecanismos de democracia participativa e direta. O eurocomunismo faliu e os PCs que aderiram a essa ideologia transformaram-se em partidos liberais ou socialdemocratas.

sábado, 8 de agosto de 2015

A “crise política”, a burguesia interna e a oposição: uma proposta de interpretação.



Michel Temer e Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
A crise do Governo do PT desenvolve-se de forma onde o fim do mandato de Dilma parece uma realidade cada vez mais concreta, só esperando o momento do derradeiro ato acontecer. Uma boa análise marxista deve conseguir captar na análise de conjuntura não apenas as movimentações institucionais de partidos e personalidades, mas compreender a dinâmica da luta de classes que se expressa na cena política. A hipótese que queremos desenvolver é a seguinte: a burguesia interna em suas mais importantes frações (latifúndio agroexportador, grande indústria e Bancos) não quer o impeachment e demonstra como maior preocupação a estabilidade política do estado burguês (temendo que uma “crise política” possa transformar-se em crise de hegemonia), mas as expressões políticas da burguesia, como alguns partidos políticos e monopólios de mídia, perseguem a derrubada de Dilma por estarem amparados num movimento de massas (nas camadas médias conservadoras e na massa organizada dos evangélicos conservadores) e buscarem principalmente seu interesse particular, provocando uma separação relativa entre a posição da grande burguesia interna e das suas expressões políticas. Tentaremos demonstrar essa hipótese.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O ponto de vista da reprodução e a crítica ao governismo: Althusser estava certo.


A obra do marxista francês (na realidade ele nasceu na Argélia, quando o país era colônia da França) L. Althusser não é tão lida hoje. Algumas décadas atrás, porém, ele era um dos autores mais famosos do mundo. Tive oportunidade de ter contato com várias obras do velho Althusser. Ideologia e Aparelhos Ideológicos de Estado é marcante e influência muito meu “pensamento político”. A famosa entrevista “A Filosofia como Arma Revolucionária” é aquele tipo de escrito que mês sim e mês não você deve ler para buscar indicações preciosas para resolver problemas da prática política.
O meu objetivo ao escrever esse texto é bem simples. Althusser, sem o saber, me vacinou contra a ideologia governista da esquerda democrático-popular (PT, PCdoB, etc.). No livro “Sobre a Reprodução”, publicado postumamente, uma espécie de síntese do pensamento do autor, Althusser defende que a teoria marxista deve colocar-se do ponto de vista da reprodução. Isso significa que a classe dominante precisa reproduzir constantemente suas relações de produção usando os Aparelhos Ideológicos e Repressivos de Estado, percebendo que a dinâmica “do econômico” não é um infinito fluir pacífico regido pela “lógica do dinheiro”. Num primeiro momento eu pensava: isso não é óbvio no marxismo? Se compreendemos que toda formação social é uma realidade histórico-concreta que está constituída pela luta de classe, fundamentada nas relações de produção material, é mais ou menos lógico que a “continuidade histórica” depende de uma relação de luta e força entre as classes e grupos em conflito, que a própria “superação histórica” de determinado elemento da realidade significa a vitória de uma classe ou um conjunto de classe sobre outras na afirmação de um projeto político-societário.

domingo, 2 de agosto de 2015

A dialética do absurdo: Marx, Mises e Edilson Silva.



                  
O deputado estadual do PSOL-PE, senhor Edilson Silva, é a figura política mais conhecida que o partido tem no estado de Pernambuco. Conhecido por posições pouco comuns no seio da esquerda socialista, o deputado conseguiu “inovar” de novo. Depois de um comentário inusitado sobre o UBER, defendeu a existência de compatibilidades entre Karl Marx e Ludwig von Mises. O curioso de tudo é que segundo Edilson, ele não está trazendo nenhuma novidade: a compatibilidade entre os dois pensadores sempre esteve presente, os comunistas e liberais “dogmáticos” é que não enxergaram.