quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O apartheid, a praia e a luta de classes.



Depois de uma reportagem da TV Manchete dos anos 90, "descobrimos" que a ação política de segregar pessoas - de acordo com sua classe e "raça" - de determinados espaços sociogeográficos é antiga. Em linguagem simples: os ricos e camada médias desejam expulsar os pobres dos "seus" espaços sociais e isso não é novidade. Toda novela em torno de uma série de ações de sujeitos políticos públicos e da "sociedade civil" contra pessoas - principalmente jovens - negros e pobres frequentarem determinados lugares nas praias do Rio de Janeiro (e antes tinha os rolezinhos) não passa de mais um episódio da famosa luta de classe.
 
Na sociedade capitalista as relações de propriedade são polarizadas: de um lado um grande contingente de pessoas que tem apenas sua força de trabalho para vender e de outro um contingente menor que detém os meios de produção. Essas relações de propriedade engendram relações de produção que formam uma divisão social do trabalho complexa e diversificada. Entre o pólo proletário e o pólo burguês temos uma série de classes e camadas sociais. Essas camadas médias, tratando a questão de forma simplista, e pensando apenas no ambiente urbano, são formadas, em grandes linhas, por dois tipos de relações materiais: a) posse de pequeno ou médio capital (que pode ser no comércio, serviços, indústria etc.) que propicia um nível de renda médio maior que o nível médio dos proletários; b) ocupação de lugar "privilegiado" na divisão social do trabalho (seja no "mercado" ou nos aparelhos do estado) que também propicia nível de renda médio alto. Esse nível de renda médio diferenciado, ligado ao fato de que os bens e serviços são mercantilizados, proporciona estabelecer modos de vida e consumo diferentes da maioria da população.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O significado político da reeleição de Tsipras.


O turbulento cenário político grego ganhou mais uma novidade: a reeleição de Tsipras e a vitória do Syriza no pleito eleitoral. A “esquerda radical” obteve 35% dos votos, o que possibilitou eleger 145 deputados e junto com os Gregos Independentes, alcançar 155 deputados – num total de 300 – e ter maioria para governar [1]. Ainda existe a forte possibilidade de outros agrupamentos de centro-esquerda e direita entraram no governo de Tsipras. A campanha marcou a consolidação do Syriza como o novo gestor da austeridade antipovo. Tsipras conseguiu, inclusive, está à direita do partido de direita Nova Democracia. O líder da Nova Democracia afirmou em debate televisivo que seu partido era contra o pagamento total da “dívida grega”, que até os credores sabem que a “dívida é impagável” e questionou Tsipras por que ele continua defendendo pagar a dívida integral; o líder há pouco tempo idolatrado por várias organizações de esquerda no mundo, afirmou que não só que seu governo pagará a dívida – com todas as consequências disso – como ignorou o resultado da auditória da dívida que seu próprio governo fez.

domingo, 6 de setembro de 2015

Afinal, o que é a “crise migratória”?



Milhões de pessoas no mundo estão chocadas com a foto de Aylan Kurdi, uma criança de três anos, morto num naufrágio de refugiados que saiam da Síria. A foto do menino morto é um exemplo – dentre milhões – de pessoas que todos os anos perdem a vida tentando escapar da miséria, fome e guerras. A chamada “crise migratória” é na verdade o produto de um mundo que vive uma nova fase da ofensiva neocolonial-imperialista. Desde o século 16 o mundo foi divido entre áreas, países, continentes e povos “civilizados” e “não-civilizados” (ou subumanos). O primeiro grande ciclo colonial destrói milhões de vidas dos povos originários do que veio a ser chamado de América e inaugura a modernidade. O segundo grande ciclo colonial, chamado de neocolonial, aparece no século XIX, já sob o comando o capitalismo, e integra de forma genocida e brutal a África e a Ásia a dinâmica do mercado mundial. Em todos esses ciclos a tônica foi à destruição criativa de povos e modos de vida e a consolidação de um sistema mundial baseado num pequeno pólo do mundo que concentra a riqueza, desenvolvimento tecnológico e avanços civilizatórios em detrimento da miséria, fome e extermínio da maioria da humanidade (que sempre esteve na África, Ásia e América).