sábado, 28 de janeiro de 2017

Tá virando amigo de polícia?

Texto do camarada Messias Martins! 


Tá virando amigo de polícia
Perguntaram
Logo eu
Negro, favelado, nascido e criado na Ilha do Rato.
Militares na Revolução dos Cravos, Portugal


            Há uns dias escrevi que estava chegando o final do ano e eu não conseguia lembrar de quantos baculejos havia levado somente em 2016. Lembro ainda do meu primeiro. Devia ter entre 8 e 9 anos. Jogando bola na rua da minha casa com quem eu pensava que seriam meus amigos pra vida toda. Um grupo de policias entraram na rua com armas na mão e mandou todo mundo deitar no chão, ali mesmo, sem camisa. Nos revistaram rapidamente, mas ainda consigo sentir aquelas mãos em meu corpo suado de jogar bola e a terra grudando no peito e barriga.
            Desde então os contatos com a PM foram caminhando por outras estradas. As vezes sentado, dentro de um coletivo onde todas as cadeiras estavam ocupadas e algumas pessoas estavam em pé. Rio Doce/Piedade. 2007. Estava indo pra igreja. A polícia parou o ônibus em frente ao Centro de Convenções, em Olinda. Dois PMs subiram e olharam para os passageiros. Me mandou levantar do banco que estava, me revistou primeiro, em seguida minha bolsa. Desceu sem falar nada. Eu fui o único a ser revistado. O ônibus seguiu viagem. Quando chegou na próxima parada as pessoas já haviam voltado aos pensamentos anteriores a blitz.
            O ódio de classes foi brotando em meu coração e regado diariamente por um monte de opressões que eu passava. Com o tempo fui observando que outras pessoas enfrentavam as mesmas negações de direitos. Inicialmente observei o que tínhamos de comum, logo de cara - a cor da pele.


"Cê já notou, e ó que eu nem falei a minha cor ainda".


            Com algum tempo fui observando que as pessoas negras e algumas outras pessoas brancas sofriam constantes golpes contra sua dignidade humana. Vivíamos na mesma comunidade. Percebi que várias outras pessoas em diversas cidades e países passavam por situações semelhantes, guardando suas especificidades. Entendi então que fazíamos parte da mesma classe - a classe trabalhadora.
            Depois de muito bater a cabeça e com algumas atitudes radicaloides pelo caminho passei a ter contato com alguns comunistas na extinta Frente Contra o Extermínio da Juventude Negra, no final de 2015, em Recife. No começo de 2016 passei a andar mais próximo de uma delas, a quem se tornou um pedaço de mim. Mylena era desenrolada demais! E não era só pelas falas nos atos e assembleias que faziam o sangue ferver, mas pude observar coerência entre sua teoria e prática. Através dela pude conhecer outros e outras camaradas e me organizar com eles e elas na União da Juventude Comunista.
            Por questões de falta de maturidade demorei algum tempo para entender - e ainda estou buscando uma melhor compreensão - o centralismo democrático. O camaradão Lênin explica bem o que significa em Que Fazer: “O centralismo e a disciplina são necessárias para que o partido atue com uma vontade comum única e assegure a coordenação do trabalho. Ao mesmo tempo, só se pode alcançar e consolidar esta vontade discutindo conjuntamente os problemas e aprovando decisões obrigatórias para todos. A vontade comum, cristalizada nas decisões do partido, é fruto da democracia interna.” Ainda de acordo com Lênin o centralismo democrático é “liberdade na discussão e unidade na ação”.
            A partir desse entendimento passei a olhar de uma forma mais ampla a PM. Embora suas fardas nos separem de nós eles e elas também são filhos e filhas, membros e membras da classe trabalhadora. Nenhuma revolução popular conhecida na História aconteceu sem que o sangue de militares fosse derramado, é verdade, mas também nenhuma revolução popular aconteceu sem que militares se enxergassem como participantes da mesma classe que os manifestantes. Foi o poder do povo construindo um mundo novo.
            Nessa questão é pontuada a necessidade da desmilitarização desses trabalhadores e dessas trabalhadoras. É por meio de uma Emenda Constitucional que a proposta de desmilitarização consiste na mudança da Constituição de forma que polícias Militar e Civil constituam um único grupo policial, e que todo ele tenha uma formação civil e venha a ser julgado como um cidadão comum e não por uma Justiça Militar que tende a arquivar processos e penalizar com trabalhos administrativos.
            Na mesma linha da desmilitarização também é veemente combatido o beneplácito chamado Auto de Resistência, que embora tenha sido abolido na Polícia Federal e nas Polícias Civis de alguns Estados ainda respalda uma Polícia Militar que mata, tortura, oprime, forja flagrantes e age com truculência em protestos de movimentos sociais, estudantes e professores, partidos e organizações progressistas por reivindicações de direitos que são negados a classe trabalhadora.
            Também denunciamos a estrutura racista que rege a PM. Em tempos de golpe onde muitos passaram a falar em estado de exceção os e as comunistas denunciam que a favela nunca conheceu um estado diferente. Estado de exceção tem sido todo estado que a parte mais pobre da classe trabalhadora conhece. Rafael Braga ainda está preso, um exemplo vivo da arbitrariedade policial. A única pessoa presa e condenada por conta das manifestações de 2013. Flagrante forjado e a sentença de cinco anos de reclusão atualmente em regime fechado. Não por acaso Rafael é negro e morador de rua.
            Não só convidamos PMs a terem consciência e não traírem sua classe como também a se unirem pela desmilitarização. Como bem observa o camarada Mauro Iasi: “A Polícia Militar perdeu o controle da situação e 70% dos próprios integrantes da PM querem a desmilitarização da corporação. Mas nós vamos mais além e queremos a sua extinção”.
            
Vai ter mais falas e rodas de conversas com esses e essas trabalhadoras e quem quer que seja que se coloque como capitão do mato e braço forte do Estado para reprimir o povo será cobrado pelo próprio povo.

            Eu mesmo, comunista em formação.

            Ousar lutar. Ousar vencer.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Marxismo e a questão racial: a contribuição do movimento comunista na luta contra o racismo.

Segue a segunda parte do vídeo sobre o "marxismo e a questão racial". A temática agora é a contribuição do movimento comunista, especialmente a Terceira Internacional, no combate ao racismo, colonialismo e apartheid.

https://www.youtube.com/watch?v=BdS18Oc3Eic

domingo, 15 de janeiro de 2017

O socialismo defende salario igual para todos?

Esse é o primeiro texto de uma série que farei para tirar dúvidas básicas de quem está começando a conhecer os temas do socialismo, marxismo, história das lutas dos trabalhadores/as etc. Irei fazer textos curtos,  de no máximo duas páginas, sem usar bibliografia e evitando ao máximo citações, que devem servir como instiga para pesquisas mais aprofundadas e despidas de preconceitos contra o marxismo.

O primeiro tema é a lenda de que no socialismo todos devem ganhar o mesmo salário e que isso seria injusto, estimularia a preguiça, atrasaria o desenvolvimento econômico e tecnológico e desincentivaria uma pessoa a estudar para ser médico ou engenheiro, por exemplo, porque seu salário seria igual ao do gari ou do pedreiro. Em resumo, o socialismo é visto como uma repartição [divisão] igual da riqueza através de uma igualdade salarial geral sobre as mesmas bases da economia atual – ou seja, continuaríamos com uma economia capitalista onde as fábricas, bancos, terras, grandes lojas etc. são privados e a economia é de mercado; a grande diferença é que, agora, todo mundo vai ganhar a mesma coisa e, consequentemente, consumir os mesmos produtos, tudo igual.

A primeira coisa a se dizer é que Marx e Engels (“fundadores” do marxismo), ou qualquer marxista importante até hoje (Lênin, Rosa Luxemburgo, Trotsky, Stálin, Mao, Gramsci, Che etc.), nunca defenderam que o socialismo significa salário igual para todos nesse tipo de economia que vivemos. Marx e Engels, inclusive, lutaram contra pensadores como Proudhon e Lassalle, que defendiam que a igualdade social seria fruto de um salário igual para todos dentro do capitalismo. Então esse é nosso primeiro argumento: não existe qualquer fundamentação em textos de Marx e Engels ou qualquer marxista importante do século XX para dizer que o socialismo defende salário igual para todos.

O segundo argumento, mais consistente, é baseado na compreensão de que, para o marxismo, os operários, por não terem os meios de produção – fábricas, terras, etc. –, são obrigados a vender sua força de trabalho para os burgueses (os donos dos meios de produção). Nesse processo de venda e consumo da força de trabalho é que a classe trabalhadora produz toda riqueza que existe (casas, carros, roupas, eletrodomésticos etc. tudo é produzido pela classe trabalhadora), mas ela só recebe “de volta” por sua produção uma pequena, uma ínfima, parte da riqueza que produziu. A maioria do trabalho não pago, a mais-valia, fica com o patrão porque o direito e o Estado garantem que ele, como dono dos meios de produção, tem o direito de ficar com grande parte da riqueza social produzida.

O salário, então, significa no capitalismo o reverso da moeda da exploração econômica: como o salário será sempre menor que a mais-valia, todo salário, no capitalismo, representa a exploração do operário. Mas Marx e Engels entenderam que o problema não é porque o salário é baixo, mas sim que o salário é baixo por ser a expressão, o resultado, de uma relação de exploração fundamentada na propriedade privada dos meios de produção. É por isso que o socialismo não defende o salário igual para todos, que todo mundo use a mesma roupa, tenha os mesmos objetos de consumo, ou que as casas, roupas, celulares etc. sejam de todos, mas sim que a economia seja baseada na propriedade coletiva [pública] dos meios de produção; ou seja, fábricas, bancos, terras e grandes lojas vão funcionar de acordo com o interesse dos trabalhadores (eles, através de complexas formas, vão decidir como trabalhar) e vão produzir para atender as necessidades humanas, não para gerar lucro – as formas de produzir e o que produzir vão ser planejadas pela sociedade organizada pelo Poder Popular; na história chamamos isso de “economia planificada”; tem esse nome porque não é mais o lucro e o “mercado” que controlam a economia, mas toda a sociedade, através de um complexo e bem articulado plano econômico.

Mas aí podem aparecer dois argumentos. O primeiro é que Marx defendeu no livro “A guerra civil na França” todas as pessoas, especialmente as em funções públicas, ganharem um salário médio de um operário. Isso é verdade? Colocado dessa forma, não. Marx, nesse livro, defende essa medida numa situação revolucionária de transição socialista, e nunca indicou a sua validade universal (se ela achava que essa medida deveria ser usada em toda revolução socialista) e sua temporalidade (ou seja, duração). Defender um salário médio igual numa situação de transição revolucionária, para evitar formação de “privilégios” no novo Estado operário que está se formando, é diferente de dizer que no capitalismo todos devem ganhar o mesmo salário.

Mas aí nosso amigo liberal pode dizer que nas experiências de transição socialista, tal como União Soviética ou Cuba, todos ganham o mesmo salário. Isso também é falso. Em tais experiências de transição socialista, não existe mais salário nos termos capitalistas. A economia é organizada de acordo com as necessidades da população, e o “salário” é uma forma de consumir de acordo com a individualidade de cada pessoa (como quero decorar minha casa, que roupas vestir, que coisas quero ter etc.), mas os bens essenciais de consumo coletivo, tal como educação, saúde, cultura, lazer, segurança, moradia, alimentação etc. são garantidos para todos, como obrigação da sociedade e de cada um.

Isso significa que as diferenças que existiam entre o “salário” (a parte de retorno individual que cada pessoa recebe por participar da criação da riqueza socialmente produzida) não criam desigualdades sociais significativas, abismos em termos de capital cultural (ou seja, não existe na URSS, Cuba ou qualquer outra experiência socialista, uma divisão rígida entre “cultura popular” e “cultura erudita”) ou divisão da sociedade em classe. Na URSS, um cientista tinha um salário em média três vezes maior que um operário, mas eles frequentavam o mesmo teatro, moravam no mesmo bairro ( não existia bairros de ricos e bairros de pobres), iam ao mesmo hospital, seus filhos estudavam na mesma escola, tinham acesso aos mesmo livros etc. O cientista, é claro, tem uma capacidade de consumir maior que a do operário, mas não existia qualquer abismo social entre eles – é justamente isso que o socialismo defende: uma igualdade social real e não uma igualdade mecânica, onde todo mundo veste a mesma roupa, tem a mesma casa etc.


A moral da história é que essa lenda de que o socialismo defende “salário igual para todo mundo” é algo totalmente falso e antagônico a tudo que o marxismo defende. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Obama e as ilusões do simbólico

Obama, o primeiro presidente negro, se despede da presidência dos EUA. Seu Governo, especialmente o primeiro mandato, expressa de uma maneira gritante uma das tragédias de nosso tempo: a pobreza analítica da esquerda [em seus diversos segmentos] e sua incapacidade de fazer "análises concretas de situações concretas" ficando refém de aparências enganosas, presa ao campo do simbólico com correntes mais firmes que as de Prometeu.


Dos anos 80 em diante o marxismo perdeu peso no mundo todo nos partidos de esquerda, movimentos sociais, intelectualidade e sindicatos. Os seus substitutos principais foram o pós-modernismo, variantes do pós-estruturalismo, um renascimento do culturalismo com forte incidência de Weber, o institucionalismo bem ao gosto de Bobbio e no campo econômico um misto grotesco de neokeynesianismo e social-liberalismo. A timidez dos projetos políticos - nada de transformação radical, apenas melhoras pontuais, ou política de "reconhecimento" - combinado com a pobreza teórica e metodológica (Boaventura foi o principal teórico do Fórum social mundial; isso diz muito) propiciou uma situação onde o simbólico, a representação, e não a prática política concreta, ditaram os caminhos e escolhas de amplos leques da esquerda.


O Obama negro, descente de árabe, com discurso de mudança, retórica anti-guerra, encobriu o caráter extremante conservador e antidemocrático do sistema político burguês dos EUA, o papel do complexo industrial-militar na dinâmica do imperialismo, a função do racismo na dominação de classe, o Estado penal litado, a existência da OTAN etc. Como num passe de mágica, a retórica e o perfil de Obama criaram uma neblina sobre os determinantes estruturais da sociedade estadunidense. A representatividade se absolutiza a tal ponto que até os dados mais evidentes, como o feroz aumento de ataques com drones, passou a não significar nada.


O Governo de Obama foi responsável por deportar mais emigrantes que o de Bush, por bombardear mais países que Bush, por derrubar mais governos que Bush, por manter intocado e ampliar o encarceramento em massa e a violência policial, dilatar ainda mais o Estado de exceção, garantir o domínio absoluto de Wall Street na economia, avultar a precariedade das relações de trabalho etc. Mesmo com tudo isso, na segunda eleição que disputa, Obama ainda tem fama de progressista, termina o mandato ainda (!!!) com fama de progressista e sua carniceira e brutal secretária de estado, Hillary Clinton, a Henry Kissinger de nosso tempo, ainda consegue lograr um consenso progressista em seu nome como mal menor comparado com Trump - na intelectualidade de esquerda James Petras e Zizek estão entre os poucos a mostrar a falácia disso.


A imagem histórica de Obama caminha na total contramão da sua prática política. Fenômeno de proporções mundiais que em maior ou menor medida pode ser visto com Tsipras na Grécia, Ciro Gomes no Brasil, Hollande na França, Pablo Iglesias na Espanha, Bachelet no Chile etc. Se historicamente os projetos políticos de conciliação de classe em prol da burguesia pressupunham um pacto redistributivo onde os de baixos tinham ganhos materiais reais, hoje, miseravelmente, o "ganho" simbólico parece bastar e a capacidade de uma análise crítica é inversamente proporcional ao carisma da figura política - se for de uma minoria social, como negro ou mulher, parece que a capacidade crítica é até interditada.


Infelizmente, para as populações da Síria, Ucrânia, Líbia, Paquistão, Haiti ou a classe trabalhadora dos EUA (especialmente seu segmento negro) as bombas, os drones, a OTAN, a cadeia, não são nada simbólicos, mas bem materialista!


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Rosa Luxemburgo nas ocupações ou os ganhos da derrota




A revolucionária Rosa Luxemburgo
O grande ciclo das ocupações em 2016 acabou. Se muitas escolas, universidades e institutos de ensino técnico já foram desocupados, os efeitos políticos dessa fantástica experiência de luta e suas consequências na memória coletiva estão em plena disputa – além, é claro, da possibilidade de formas variadas de repetição do fenômeno para 2017. O fim de todo ciclo de lutas – com vitória ou derrota dos explorados – abre uma nova arena de batalhas: a luta pela memória e pela escrita da história, afinal, se as ideias de uma época são as ideias da classe dominante, como diz Marx e Engels, esse domínio não existe sem disputa.

Meu objetivo nesse texto é de através de uma chave de leitura inspirada em Rosa Luxemburgo, mostrar que a derrota do movimento das ocupações – pois, infelizmente, a PEC da MORTE não foi barrada – traz em seu âmago profundas vitórias para a juventude trabalhadora. Através da crítica do oportunismo realizada por Rosa pretendo chamar atenção para o caráter pedagógico da luta por meio da autonomia e da combatividade de classe que as ocupações trouxeram, e mostrar como foi possível construir algo diferente da cultura política democrático-popular.

Para desenvolver as ideias descritas acima, cumpre delinear o que é o oportunismo na visão de rosa Luxemburgo. Rosa criticava os líderes da socialdemocracia (na época o movimento socialdemocrata era sinônimo de uma corrente política marxista e socialista) porque a luta cotidiana se operava numa lógica de buscar os resultados possíveis dentro da estrutura social dada – o capitalismo – e o socialismo, a revolução, a ditadura do proletariado etc., acabaram tornando-se palavras vazias de sentido prático, entoadas apenas em festas e nos órgãos teóricos do partido.

A prática política que separa o objetivo final (o socialismo) das lutas imediatas, sindicais ou políticas, foi defendida explicitamente por Eduard Bernstein como o “movimento é tudo”. O socialismo seria um produto natural de reformas progressivas e cumulativas do capitalismo sem qualquer necessidade de ruptura revolucionária. Mais de cem anos depois sabemos bem que a teoria de Bernstein e a prática da socialdemocrata não resultaram nem no socialismo e muito menos em reformas progressivas em ritmo constante e ininterrupto.

Pois bem, Rosa Luxemburgo demonstrou que o oportunismo, isto é, a prática e a teoria de subordinar o fim estratégico ao objetivo imediato e a adesão total ao taticismo e ao movimentismo, não só é ineficaz no seu proclamado objetivo – consegui reformas imediatas e progressivas – como acaba com a própria capacidade de luta das classes exploradas. Nas palavras da autora:

Pode-se dizer de um homem, que quer obter a solução por meios capitalistas, que ele considera como necessária a conquista do poder político pela classe operária? Consequentemente, aqui também, a indignação de Fendrich e Vollmar não se endereça a mim, mas a Conrad Schimidt. E, por fim, a declaração no Neue Zeit: «O objetivo final, qualquer que seja, não é nada para mim; o movimento é tudo.» Quem diz isto não está também convencido da necessidade da conquista do poder político.
Vocês veem que um certo número de nossos camaradas não se colocam no campo do objetivo final de nosso movimento. E é por isso que é necessário dizê-lo claramente e sem equívoco. É hoje necessário mais que nunca. Os golpes da reação caem sobre nós duros como granizo. Nós devemos a responder ao último discurso do imperador. Nós devemos declarar, de uma maneira clara e franca, como o velho Catão: “ Eu penso que é preciso destruir este Estado.” A conquista do poder político permanece nosso objetivo final e o objetivo final permanece a alma de nossa luta. A classe operária não deve se colocar sob o ponto de vista decadente do filósofo: "O objetivo final não é nada, o movimento é tudo.” Não, ao contrário, o movimento enquanto tal, sem relação com o objetivo final, não é nada, o objetivo final é que é tudo! [1]


E

Precisamente porque nós não concedemos nem um centímetro de nossa posição, nós forçamos o governo e os partidos burgueses a nos conceder os poucos sucessos imediatos que podem ser ganhos. Mas se nós começamos a perseguir o que é ‘possível’ de acordo com os princípios do oportunismo, sem nos preocupar com nossos próprios princípios, e por meios de troca como fazem os estadistas, então nós iremos logo nos encontrar na mesma situação que o caçador que não só falhou em matar o veado, mas também perdeu sua arma no processo [2]

Esses dois trechos conseguem expressar bem a crítica ao oportunismo de Rosa Luxemburgo; porém, o último trecho, contém um elemento fundamental e pouco discutido na crítica do oportunismo. A metáfora do caçador que falha no objetivo de matar o veado – na estratégia – e também perde sua arma, tem um significado muito preciso que carece de melhor desenvolvimento.

Toda estratégia política está fundamentada em determinada concepção de ação política, tática, forma organizativa, tipo de liderança, orientação teórica etc. Até os partidos e movimentos aparentemente mais anti-teoricista – por exemplo – contém sim uma teoria que os orienta sobre todos esses aspectos. A prática política amparada no oportunismo exige uma correlata adequação – que não se realiza sem luta – desses elementos.

Um partido dominado pelo oportunismo terá que se burocratizar e restringir a democracia interna, afinal, democracia interna não é compatível com a prática de acordos de cúpula e troca de favores parlamentares; terá que abandonar a teoria revolucionária e buscar arcabouços teóricos que legitimem o oportunismo, o fazendo de maneira explícita ou criando a famosa dualidade cínica: marxismo para dias de festas e celebrações teóricas nos órgãos do partido e ação política cotidiana baseada em outras teorias antagônicas ao marxismo; o partido dominado pelo oportunismo também deve frear toda combatividade da classe e criar uma cultura política apta à conciliação como objetivo primeiro.

A burguesia é uma classe reacionária em todos os cantos do mundo na época do imperialismo. Em algumas situações, porém, ela pode ainda desempenhar um papel progressista como numa guerra de libertação nacional, mas isso é cada dia mais raro de acontecer. Como conclusão teórico-política intransponível isso significa que a burguesia não trabalha a priori com a intenção de realizar qualquer acordo redistributivo pela melhora relativa das condições de vida das classes exploradas. Ela só o faz caso haja uma conjuntura política favorável em que as classes exploradas e suas expressões políticas consigam impor um pacto à burguesia.

O curioso é que para manter o pacto, as direções oportunistas do proletariado, precisam sempre rebaixar em nível teórico, prático e institucional a capacidade dos explorados de atuar enquanto classe de forma independente e combativa – para não ameaçar o limite burguês do pacto. Esse ciclo de amoldamento das classes trabalhadoras à grande política burguesa (no sentido de Gramsci), consolidado quando suas principais expressões políticas tornam aparelhos de hegemonia da burguesia, acaba reduzindo substancialmente a força política dos explorados e criando as condições para que a burguesia não considere mais interessante a manutenção do pacto de classe e possa desencadear uma brutal e desapiedada ofensiva.

Atônito, desarmado teórica e praticamente, sem grandes lideranças combativas e práticas de luta, o proletariado é esmagado. O ciclo de conciliação de classe criou uma cultura política que impossibilita uma reação à altura e o caçador que vendeu os princípios em troca dos ganhos imediatos tem agora todos seus ganhos imediatos mais básicos atacados sem consegui resistir como se deve.

Não à toa é que depois de todo grande ciclo de pacto burguês temos uma brutal ofensiva dos de cima que acaba com todos os pequenos ganhos do ciclo anterior. Foi assim com a socialdemocracia europeia seguida pelo neoliberalismo; é assim com o ciclo progressista na América Latina seguido pela ascensão da “nova” direita; é assim no Brasil que depois de 14 anos de “Governo Popular” e 30 anos de programa democrático-popular vê a burguesia querer regredir as condições de vida da classe trabalhadora em 100 anos – e a CUT, a principal central sindical do país e da América Latina, promete uma greve geral há mais de um ano e simplesmente não consegue mobilizar “suas” bases nem para as práticas oportunistas de eleger os candidatos do interesse da burocracia partidária e sindical.

Isso significa que é parte essencial da luta de classes dos explorados no Brasil superar a cultura política democrática-popular forjada nos últimos anos – a expressão principal do oportunismo entre nós. Aqui é justamente um eixo nodal onde as Ocupações expressam o caminho dessa superação. A juventude, diferente do sindicalismo, tem uma dinâmica de renovação mais rápida e a capacidade de manter esse importante segmento social burocratizado e sob controle é menor.

Em Junho de 2013, apareceu na cena política um movimento de massas que não era controlado direta ou indiretamente pelo campo democrático-popular; no ciclo de lutas contra a Copa do mundo e as Olimpíadas, o fenômeno se repete com configurações sociais e organizativas diferentes. No ciclo de ocupações de 2016 a juventude protagoniza a luta sem o controle dos tradicionais aparelhos do movimento estudantil – UNE, UBES etc. – e trazendo um conjunto de práticas políticas que em vários aspectos representam a negação extrema de tudo que o campo democrático-popular incrustou como comum na política dos de baixo.

Que práticas estamos falando? A “cultura política” dominante nas ocupações recusava a lógica dos acordos de cúpula buscando o “menos pior”. A ideia não era realizar mobilizações, consegui canais de comunicação com os poderes instituídos (reitorias, secretaria de educação, diretoria de escolas etc.) e depois amoldar o programa de reivindicações a lógica do “possível” dentro da normalidade das coisas. Pelo contrário. As ocupações, no geral, demostraram uma extrema desconfiança dessas falsas negociações e desses canais de diálogos que funcionam com capacidade de decidir assimétricas: não existe diálogo se a capacidade de decidir está com apenas uma das partes.

A desconfiança com as hierarquias e o combate máximo às práticas do tipo montar comissões permanentes de negociação que acabavam sequestrando a soberania do movimento e decidindo os termos do diálogo com as direções, externou um repúdio a prática de buscar a conciliação, o “possível”, como objetivo primeiro. A necessidade da resistência foi levada até um extremo tão grande que em algumas ocupações debater o momento do fim era quase um pecado (o que, evidentemente, é um erro político).

As ocupações também mostraram uma extrema preocupação com o aparelhamento. A nociva prática de organizações – até as que se apresentam como não-organizações – entrarem em movimentos e lutas específicas não para fortalecê-las, mas para controlá-las e torna-las braços, apêndices, dos seus interesses. Ao contrário de Junho de 2013, que manifestou um anti-partidarismo primário com traços conservadores, o ciclo das ocupações soube conviver bem com a contribuição das organizações nas ocupações inibindo qualquer forma de aparelhamento e burocratização.

É claro, porém, que existem exceções. Mas no sentido geral do processo vemos que a principal máquina burocrática de atuação na juventude, o complexo UNE-UJS-JPT, não conseguiu ter hegemonia nas ocupações e a esquerda socialista, mesmo com papel de liderança em algumas ocupações, teve que evitar as práticas de hegemonismo caso contrário seria deslegitimada nesses espaços de luta. Por que o aparelhamento foi evitado?

As ocupações conseguiram se organizar de uma maneira horizontal e com uma boa democracia de base. Mas calma! Não é a horizontalidade do coletivo supostamente anticapitalista ou do Diretório Acadêmico descontruído que acha que horizontalidade são todos seguirem o que eles querem e como querem. E sim a horizontalidade no sentido de procurar ao máximo tomar todos às decisões em assembleias com debates abertos e que incentivem a formação política dos seus participantes. Quando a representação era usada – e foi usada, como em reuniões com reitorias – a prática era na assembleia das ocupações tirar o nome das pessoas a participarem, debater a linha política que os representantes levariam e depois da reunião termos outra assembleia de repasse e o representante naquele espaço não se tornava um ocupante diferenciado, mas alguém que cumpriu uma função naquele momento e só.

A preocupação com a formação teórica também foi um elemento marcante das ocupações. O autor dessas linhas pôde fazer formações sobre teoria marxista da dependência, universidade popular, poder popular, racismo e superexploração da força de trabalho etc. em diversas ocupações de Pernambuco. A percepção de que a luta pela transformação da universidade e da educação não pode ficar presa aos limites do debate sobre educação e ao espaço da instituição foi sem dúvida alargado.

A combatividade instintiva expressa por setores da juventude nas ocupações procurou fundir-se com o radicalismo político e teórico e o anarquismo e o marxismo brigaram por esse espaço – ao que me parece com um pouco mais de sucesso para o primeiro. É mais que significativo que estudantes com anos de universidade só tenham debatido a estrutura, a história e a função social da universidade no capitalismo brasileiro durante as ocupações.

A desconfiança com os poderes instituídos, a negação da cultura da conciliação, o combate ao aparelhamento e a valorização da horizontalidade e da auto-organização, a busca por uma compreensão crítica da universidade e a percepção da necessidade de unir as lutas locais – pela educação e as pautas específicas de cada universidade, instituto e escola – com as lutas gerais da classe trabalhadora se configura como um reverso da cultura democrático-popular ainda hegemônica no seio da classe trabalhadora e da juventude. É claro que essas características positivas que elenquei acima são encontradas em graus variados nas diferentes ocupações e existem as exceções; estou apontando as tendências gerais do processo e não afirmando que em cada ocupação é possível encontrar de forma bem delineada todos esses elementos.

E mesmo com tudo isso fomos derrotados? Sim, fomos. Defendo a hipótese que não tínhamos como ganhar a batalha pela derrubada da PEC da MORTE devido à ausência da classe trabalhadora na centralidade do combate, porém, mesmo assim, a juventude que participou dessa gigantesca experiência histórica ganhou organizativamente, ideologicamente e politicamente. A luta política com independência de classe e combatividade, fugindo do oportunismo e da “arte do possível”, lega saldos políticos que podem propiciar outros patamares de ação e conquista.

A juventude trabalhadora, o movimento estudantil e parte significativa das organizações da esquerda socialista/comunista tiveram a vitória no meio de derrota de provar que é possível travar uma política diferenciada da prática dominante nos últimos anos e confiar primordialmente no poder da organização dos de baixo. A transformação que cada pessoa [no geral] passou durante as ocupações não foi revertida pela aprovação da PEC. O contrário é verdade. A aprovação da PEC deixou como lição a necessidade de mais trabalho de base, teoria crítica, organização e articulação política para além das instituições de ensino e trabalhadores da área da educação.

A clássica frase da esquerda “amanhã vai ser maior” tem possibilidades reais, ao menos para o segmento da juventude, de se tornar uma realidade para o ciclo de lutas de 2017.

[1] –https://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1898/10/03.htm

[2] - https://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1898/09/30.htm

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Marxismo e a questão Racial

O Marxismo e a questão racial é o primeiro vídeo do canal Makaveli TV.
Nesse primeiro vídeo faço uma análise e desconstrução sobre a visão de Carlos Moore e aponto o porque o marxismo não é uma teoria racista. 
Assista, comente e compartilhe!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Estados Unidos contra a Odebrecht.

Por Gabriel Deslandes

Marcelo Odebrecht sendo preso.
A Odebrecht e a Braskem assinaram um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA, a comissão de valores mobiliários americana (SEC) e a Procuradoria-Geral da Suíça [1]. As duas empresas brasileiras, alvos do momento da Operação Lava Jato, concordaram em pagar uma multa de R$ 6,9 bilhões para encerrar investigações sobre a companhia em ambos os países. Desse montante, cerca de 15% serão abocanhados pelos EUA (10% no valor da Odebrecht e 15% no valor da Braskem) [2].

Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, essa é a maior punição da história para um caso global de corrupção. Em coletiva de imprensa, o órgão norte-americano alegou que a empreiteira pagou US$ 1 bilhão em propinas no Brasil e outros 11 países. Também se afirmou lá que o FBI quer que tais investigações "sirvam de exemplo" [3].

                 Vamos então ao que interessa: por que diabos os Estados Unidos da América, a maior entidade corruptora de governos estrangeiros e corporações privadas da história da humanidade, estariam publicamente alarmados com um esquema de corrupção? Que tipo de interesses geopolíticos motivaria o Estado norte-americano a aplicar uma punição dessa dimensão a uma empresa da magnitude da empreiteira brasileira, com negócios em vários países? Afinal, bancos norte-americanos foram usados em lavagem de dinheiro nessas operações de corrupção e, até o momento, nenhum deles foi penalizado [4]. Ao contrário, manteve-se o nome das instituições financeiras em sigilo de Justiça. Então, vejamos algumas motivações:



1 – Concorrência no exterior: a Odebrecht compete com as multinacionais norte-americanas em negócios na África, América Latina e mesmo dentro dos EUA, como na reforma do Porto de Miami e do Aeroporto de Fort Lauderdale [5]. De acordo com um relatório anuário da Engineering News-Record sobre as empresas que participam do mercado global de “contratos públicos”, a Odebrecht é a 13ª maior empresa em valores de contratos no ano de 2015 [6]. Entre as americanas, estão acima da empreiteira brasileira apenas a californiana Bechtel e a texana Fluor.

2 – Interesses estrangeiros no setor de Defesa e no pré-sal: a Odebrecht é a principal empreiteira do ProSub, programa criado, em 2008, para construção do primeiro submarino nuclear brasileiro, o SN Álvaro Alberto (SN-10). O submarino, em fase de projeto, está sendo desenvolvido como uma política de defesa do pré-sal [7]. Os EUA não reconhecem as 200 milhas náuticas da costa brasileira, assim como não vêem a hora de abocanhar uma fatia do pré-sal, mas a Petrobras continua sendo a única petroleira no mundo que já domina a tecnologia de extração de petróleo em grandes profundidades [8]. A possibilidade de privatização gradual da Petrobrás faria com que as multinacionais norte-americanas adquirissem tal tecnologia. Além disso, a paralisia do ProSub pode favorecer multinacionais, como a General Electric, que ocupariam o lugar da Odebrecht. A Odebrecht também era proprietária da Mectron, empresa fabricante de armas que fornecia mísseis terra-ar, mar-ar, mar-terra e terra-terra para o Exército e a Marinha do Brasil [9]. Em agosto de 2016, a empresa foi vendida para a companhia israelense Elbit [10].

3 – Cartelização do mercado de sondas: segundo a Operação Lava-Jato, a construção de navios-sonda para a exploração do pré-sal pela Petrobrás envolvia um cartel de empreiteiras, fundos de pensão e o banco BTG Pactual, do André Esteves. Esse cartel consistia na empresa Sete Brasil, que se tornou a maior empresa do mundo no mercado de sondas de águas ultraprofundas, e foi criada com o objetivo de furar os cartéis de empreiteiras internacionais, como as gigantes Halliburton, Schlumberg e Transocean. Ou seja, um cartel nacional contra um cartel internacional [11]. Em 2011 e 2012, a Petrobrás encomendou 29 sondas de última geração à Sete Brasil em construção em cinco estaleiros, onde atua a Odebrecht. [12] Se, segundo as delações da Operação Lava Jato, as empreiteiras sueca Skanska [13] e francesa Technip [14] também participavam de cartel na Petrobrás, por que não são alvo de intensa investigação midiatizada? Por que o foco exclusivo nas empresas brasileiras que atuam em um projeto importante para a soberania nacional?

4 – Política de “mudança de regimes”: entre os 12 países onde a Odebrecht atua, estão países como Venezuela e Cuba. Na Venezuela de Maduro, a empreiteira é responsável pelas obras da nova linha do metrô de Caracas [15]. Em Cuba, investiu na revitalização do Porto de Mariel, ponto comercial estratégico no Caribe a menos de 180 km da Flórida [16]. A possibilidade de uma “regime changes” nesses países não-alinhados com os interesses norte-americanos na América Latina pode incluir também uma futura “revisão de contratos”. As empreiteiras norte-americanas, obviamente, gostariam que seus investimentos ocupassem o lugar dos da concorrente brasileira.

5 – Boicote a projetos de integração internacional: a Odebrecht seria a principal empreiteira responsável pela construção do Canal da Nicarágua, projeto chinês de mais de US$ 40 bilhões que ligará o Atlântico ao Pacífico – bem ao lado do Canal do Panamá, criado pelos EUA [17]. Ao contrário do Canal do Panamá, que apenas permite a passagem de um navio de cada vez e não suporta o calado de superpetroleiros, o Canal da Nicarágua poderá suportar até cinco superpetroleiros e tem a profundidade suficiente para suportar o calado de um grande navio tanque. Além disso, a Odebrecht poderia ser a empreiteira da Ferrovia Binacional Brasil-Peru, que ligaria o Brasil ao Pacífico e representa também uma nova rota comercial para a China [18]. Evidentemente, os EUA se opõem a ambos os projetos


[1] - http://www.valor.com.br/politica/4814985/odebrecht-e-braskem-firmam-maior-acordo-de-leniencia-dos-eua
[2] - http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38372803
[3] - http://www.valor.com.br/politica/4815175/justica-dos-eua-quer-que-caso-da-odebrecht-e-braskem-sirva-de-exemplo
[4] - www.blogdokennedy.com.br/eua-sao-mais-rigorosos-com-a-corrupcao-dos-outros/
[5] - http://www.odebrecht.com/pt-br/negocios/nossos-negocios/odebrecht-engenharia-construcao-internacional-infraestrutura
[6] - http://www.enr.com/toplists/2015_Top_250_International_Contractors1
[7] - http://www.prosubebn.com.br/
[8] - http://www.vermelho.org.br/noticia/136916-1
[9] - http://airway.uol.com.br/as-armas-de-verdade-do-grupo-odebrecht/
[10] - https://theintercept.com/2016/08/17/com-queda-da-odebrecht-elbit-fabricante-israelense-de-drones-tenta-decolar-no-brasil/
[11] - http://www.esquerdadiario.com.br/Lava-Jato-por-tras-de-Moro-e-da-grande-midia-se-escondem-alguns-dos-donos-do-mundo
[12] - http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/02/sete-brasil-fecha-com-5-estaleiros-construcao-de-sondas.html
[13] - http://www.cgu.gov.br/noticias/2016/06/cgu-pune-construtora-skanska-com-inidoneidade
[14] - http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,aumentou-a-repressao-a-corrupcao-no-petroleo-imp-,1606770
[15] - http://www.ve.odebrecht.com/es/proyectos/en-ejecucion/linea-5-metro-de-caracas
[16] - http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/39292/um+ano+apos+inauguracao+porto+de+mariel+satisfaz+aposta+estrategica+do+brasil+em+cuba.shtml
[17] - http://www.dw.com/pt-br/panam%C3%A1-pretende-proibir-odebrecht-de-participar-de-licita%C3%A7%C3%B5es-p%C3%BAblicas/a-36929706
[18] - http://www.jornalatribuna.com.br/?p=33588